Queimaduras: Quando Usar Antibióticos na Profilaxia?

FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, 42 anos, pesando 80 kg, é levado por populares à emergência. Apresenta queimaduras de segundo e terceiro graus acometendo todo membro superior direito, parte anterior do tórax e abdome, genitália e parte anterior do membro inferior direito. Após a definição da reposição de fluidos no paciente, há o questionamento sobre o início de antibioticoprofilaxia intravenosa ainda na sala de primeiro atendimento. O mais adequado é:

Alternativas

  1. A) Fazer uso de cefazolina para profilaxia. 
  2. B) Fazer uso de imipenem para profilaxia. 
  3. C) Não realizar antibioticoprofilaxia.
  4. D) Fazer uso de vancomicina para profilaxia. 

Pérola Clínica

Queimaduras: Não realizar antibioticoprofilaxia sistêmica de rotina na sala de primeiro atendimento.

Resumo-Chave

A antibioticoprofilaxia sistêmica de rotina em pacientes queimados não é recomendada no atendimento inicial, pois pode selecionar bactérias resistentes e mascarar sinais de infecção, sendo preferível o tratamento direcionado a infecções estabelecidas.

Contexto Educacional

Pacientes com queimaduras extensas são altamente suscetíveis a infecções devido à perda da barreira cutânea e à imunossupressão induzida pela lesão. A infecção é a principal causa de morbimortalidade nesses pacientes. No entanto, a antibioticoprofilaxia sistêmica de rotina no atendimento inicial não é recomendada. A prática de não realizar antibioticoprofilaxia sistêmica se baseia em evidências que mostram que ela não reduz a incidência de infecções e pode, na verdade, levar ao surgimento de cepas bacterianas multirresistentes. Além disso, a administração precoce de antibióticos pode mascarar os sinais clínicos de uma infecção real, dificultando o diagnóstico e o tratamento oportuno. O manejo da infecção em queimados foca na prevenção local com desbridamento, limpeza da ferida e uso de agentes tópicos antimicrobianos. Antibióticos sistêmicos devem ser reservados para o tratamento de infecções estabelecidas, com base em culturas e antibiogramas, ou em casos de sepse grave. A vigilância contínua para sinais de infecção é crucial.

Perguntas Frequentes

Por que a antibioticoprofilaxia sistêmica não é recomendada em queimaduras?

A profilaxia sistêmica em queimaduras não demonstrou benefício na redução da incidência de infecções e pode levar à seleção de microrganismos resistentes, além de mascarar os sinais de infecção real, dificultando o diagnóstico.

Qual a principal preocupação em relação à infecção em pacientes queimados?

A principal preocupação é o desenvolvimento de infecções da ferida, celulite, pneumonia e sepse, que são as principais causas de morbimortalidade em queimados. O tratamento deve ser direcionado a infecções estabelecidas e guiado por culturas.

Quais são as medidas de prevenção de infecção em queimados?

As medidas incluem desbridamento precoce, limpeza rigorosa da ferida, uso de curativos tópicos antimicrobianos (ex: sulfadiazina de prata) e técnicas assépticas rigorosas para minimizar a contaminação.

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