SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
É dever da equipe cirúrgica prover a maior segurança possível aos pacientes sob seus cuidados. Deve-se identificar e atuar, sempre que possível, na minimização de riscos inerentes ao procedimento. Analise as alternativas a seguir e assinale a mais correta em relação às melhores práticas de cuidado perioperatório:
Antibioticoprofilaxia cirúrgica → idealmente dose única ou duração < 24h para evitar C. difficile.
A extensão da antibioticoprofilaxia além de 24 horas não reduz a incidência de infecção do sítio cirúrgico e está associada a maior risco de resistência bacteriana e colite pseudomembranosa.
O cuidado perioperatório moderno baseia-se em protocolos de recuperação otimizada (como o ERAS ou ACERTO), que priorizam a segurança do paciente através de intervenções baseadas em evidências. A antibioticoprofilaxia é uma das medidas mais críticas para a prevenção de infecção do sítio cirúrgico, mas seu uso irracional é comum na prática clínica. A evidência atual é robusta em demonstrar que doses repetidas após o fechamento da pele não conferem proteção adicional. Além da antibioticoterapia, a avaliação pré-operatória evoluiu de um modelo baseado em 'checklists' de idade para uma avaliação funcional e de risco cardiovascular. Pacientes idosos exigem atenção especial à fragilidade e polifarmácia, mas a solicitação de exames laboratoriais deve ser criteriosa para evitar sobrediagnóstico e custos desnecessários. O manejo nutricional também é pilar fundamental, reconhecendo que a imunonutrição e o aporte proteico-calórico adequado em curtos períodos pré-operatórios são suficientes para melhorar o desfecho cirúrgico.
De acordo com as diretrizes da OMS e do CDC, a antibioticoprofilaxia deve ser administrada dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica e, na grande maioria dos procedimentos, deve ser encerrada imediatamente após o término da cirurgia ou, no máximo, em até 24 horas. A manutenção prolongada de antibióticos não demonstrou benefício na redução de infecções do sítio cirúrgico (ISC) e aumenta significativamente o risco de efeitos colaterais, como a infecção por Clostridioides difficile e o desenvolvimento de resistência antimicrobiana.
A solicitação de exames pré-operatórios não deve ser baseada exclusivamente na idade cronológica do paciente. Para pacientes acima de 65 anos, a avaliação deve ser individualizada com base nas comorbidades (classificação ASA), na capacidade funcional (METs) e no porte da cirurgia. Exames como hemoglobina, ureia e creatinina são indicados para procedimentos de médio e grande porte ou quando há suspeita clínica de disfunção orgânica, mas não são obrigatórios de forma universal para todos os pacientes idosos em cirurgias de baixo risco.
Em pacientes com desnutrição grave, o suporte nutricional pré-operatório deve ser realizado por um período de 7 a 14 dias para que haja um impacto positivo na redução de complicações pós-operatórias e na cicatrização. A afirmação de que seriam necessárias quatro semanas é incorreta, pois o benefício metabólico e imunológico começa a ser observado em um intervalo menor, permitindo que a cirurgia não seja excessivamente postergada em casos de doenças progressivas como neoplasias.
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