Hérnia Inguinal Pediátrica: Antibioticoprofilaxia na Cirurgia

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Pré-escolar com 24 meses de vida, trazido pela mãe após encaminhamento do pediatra com relato de hérnia inguinal. A respeito da antibioticoprofilaxia para o paciente dentro da cirurgia proposta é possível afirmar que:

Alternativas

  1. A) Não é necessária.
  2. B) Deve ser feita com Quinolona.
  3. C) Deve ser feita com Cefalosporina.
  4. D) Deve ser feita com Macrolídeo.

Pérola Clínica

Herniorrafia inguinal pediátrica = cirurgia limpa → antibioticoprofilaxia NÃO é rotineiramente necessária.

Resumo-Chave

A herniorrafia inguinal em crianças é classificada como uma cirurgia limpa. Nesses procedimentos, a antibioticoprofilaxia de rotina não é indicada, pois o risco de infecção do sítio cirúrgico é baixo e os potenciais benefícios não superam os riscos de resistência antimicrobiana e efeitos adversos.

Contexto Educacional

A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida importante para prevenir infecções do sítio cirúrgico (ISC), mas sua indicação deve ser criteriosa para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o consequente aumento da resistência antimicrobiana. As cirurgias são classificadas de acordo com o grau de contaminação, e essa classificação orienta a necessidade de profilaxia. A herniorrafia inguinal em crianças, assim como em adultos, é tipicamente classificada como uma cirurgia limpa. Cirurgias limpas são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou potencialmente estéreis, sem inflamação ou infecção pré-existente, e sem abertura de vísceras ocas. Nesses casos, o risco de ISC é baixo (geralmente < 2%), e a antibioticoprofilaxia de rotina não é recomendada, pois os riscos superam os benefícios. Exceções podem incluir pacientes imunocomprometidos ou cirurgias com implante de próteses. Para residentes, é fundamental compreender os princípios da antibioticoprofilaxia cirúrgica, incluindo a classificação das feridas, a escolha do antibiótico (quando indicado), a dose e o momento da administração. A não indicação de antibióticos em cirurgias limpas como a herniorrafia inguinal pediátrica reflete uma prática baseada em evidências, visando a segurança do paciente e a racionalização do uso de antimicrobianos.

Perguntas Frequentes

Quais são as classificações das cirurgias quanto ao risco de contaminação?

As cirurgias são classificadas em: limpas (sem infecção, sem abertura de vísceras ocas), potencialmente contaminadas (abertura controlada de vísceras ocas), contaminadas (contaminação grosseira ou inflamação aguda sem pus) e infectadas (presença de pus ou infecção estabelecida).

Em que tipo de cirurgias a antibioticoprofilaxia é geralmente indicada?

A antibioticoprofilaxia é geralmente indicada em cirurgias potencialmente contaminadas, contaminadas e em algumas cirurgias limpas com implante de próteses ou em pacientes com alto risco de infecção. Não é rotina em cirurgias limpas sem esses fatores.

Por que a herniorrafia inguinal pediátrica não requer antibioticoprofilaxia de rotina?

A herniorrafia inguinal é considerada uma cirurgia limpa, com baixo risco de infecção do sítio cirúrgico. A profilaxia antibiótica de rotina nesses casos não demonstrou benefício significativo e pode contribuir para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana.

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