FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Estudos mostram que a administração profilática de antibióticos antes da cirurgia colorretal previne a infecção da ferida cirúrgica no pós-operatório. Acerca desse tema, assinale a alternativa correta:
Antibioticoprofilaxia cirúrgica → dose única pré-incisão; manutenção pós-op não reduz ISC.
A profilaxia visa atingir níveis teciduais terapêuticos durante a incisão. Prolongar o uso de antibióticos além do período intraoperatório não oferece proteção adicional contra infecções e aumenta o risco de resistência bacteriana.
A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas na cirurgia colorretal, devido à alta carga bacteriana endógena (aeróbios e anaeróbios). A antibioticoprofilaxia é uma intervenção baseada em evidências de nível 1A para reduzir essa incidência. O princípio fundamental é a presença do fármaco no tecido durante o período de contaminação potencial (a cirurgia). Atualmente, as diretrizes do SCIP (Surgical Care Improvement Project) e da OMS enfatizam que a profilaxia deve ser encerrada em até 24 horas após o término da cirurgia. No caso da cirurgia colorretal, a cobertura deve incluir patógenos entéricos como E. coli e Bacteroides fragilis. A escolha do agente deve considerar o perfil de resistência local, sendo as cefalosporinas de segunda geração ou a combinação de cefazolina com metronidazol as opções mais frequentes.
O antibiótico deve ser administrado dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica (ou 120 minutos para vancomicina ou fluoroquinolonas). O objetivo é garantir que a concentração sérica e tecidual do fármaco exceda a concentração inibitória mínima (CIM) para os patógenos prováveis no momento exato em que a pele é cortada e o campo cirúrgico é exposto.
Diversos estudos randomizados e metanálises demonstram que, para a maioria dos procedimentos cirúrgicos, incluindo os colorretais, uma dose única ou a manutenção apenas durante o tempo da cirurgia é suficiente. Prolongar a administração não reduz as taxas de infecção de sítio cirúrgico (ISC) e está associado a efeitos colaterais, custos elevados e seleção de germes multirresistentes, como o Clostridioides difficile.
A combinação de antibióticos orais não absorvíveis (como neomicina e eritromicina) com o preparo intestinal mecânico e antibioticoprofilaxia intravenosa tem mostrado redução significativa nas taxas de ISC em cirurgias colorretais eletivas. No entanto, a profilaxia intravenosa isolada ainda é o padrão em muitos protocolos, cobrindo gram-negativos e anaeróbios (ex: Cefoxitina ou Cefazolina + Metronidazol).
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