Antibioticoprofilaxia em Histerectomia: Quando Redosar?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 68 anos vai ser submetida a histerectomia para tratamento de miomatose uterina. Em relação à antibioticoprofilaxia para essa paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Como a paciente vai ser submetida a cateterismo vesical de demora, é necessário se prolongar a antibioticoprofilaxia
  2. B) Como trata-se de cirurgia eletiva, a profilaxia deve ser feita por via oral, tomando-se o cuidado de iniciar a administração mais precocemente
  3. C) Em caso de sangramento copioso ou prolongamento do ato operatório, pode haver necessidade de doses adicionais perioperatórias
  4. D) Independentemente da natureza e tipo da cirurgia, só pela faixa etária já haveria indicação de antibioticoprofilaxia

Pérola Clínica

Sangramento copioso ou cirurgia prolongada (>2x meia-vida ATB) → Redosar antibiótico profilático para manter níveis séricos.

Resumo-Chave

A antibioticoprofilaxia cirúrgica visa manter níveis séricos adequados do antibiótico durante todo o procedimento. Fatores como sangramento excessivo (que dilui o antibiótico ou aumenta sua eliminação) ou cirurgias prolongadas (excedendo duas meias-vidas do fármaco) podem exigir doses adicionais para garantir a eficácia e prevenir infecções do sítio cirúrgico.

Contexto Educacional

A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida crucial para reduzir a incidência de infecções do sítio cirúrgico (ISC), uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgias. Para residentes, compreender os princípios e as indicações corretas é fundamental para a prática segura. A histerectomia, sendo uma cirurgia limpa-contaminada, tem indicação clara de profilaxia. A fisiopatologia da ISC envolve a contaminação do campo cirúrgico por microrganismos da flora do paciente ou do ambiente, e a profilaxia visa minimizar essa carga bacteriana no momento da incisão e durante o procedimento. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais prováveis para o tipo de cirurgia (geralmente bactérias da pele e flora vaginal/intestinal para histerectomia, como cefazolina). O momento da administração é crítico: deve ser feito 30 a 60 minutos antes da incisão para garantir níveis teciduais adequados. Um ponto de atenção importante é a necessidade de redoses perioperatórias. Fatores como a duração da cirurgia (se exceder duas meias-vidas do antibiótico) ou a ocorrência de sangramento significativo (que pode diluir o antibiótico ou aumentar sua eliminação) podem levar à queda dos níveis séricos abaixo do terapêutico. Nesses casos, uma dose adicional é necessária para manter a proteção. A profilaxia não deve ser prolongada além de 24 horas na maioria dos casos, pois não há benefício adicional e aumenta o risco de resistência bacteriana e efeitos adversos. O prognóstico da cirurgia é melhorado com a prevenção eficaz de infecções.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da antibioticoprofilaxia cirúrgica?

O objetivo é prevenir infecções do sítio cirúrgico, reduzindo a carga bacteriana no campo operatório durante o período de maior risco de contaminação, sem erradicar completamente a flora bacteriana.

Quando a antibioticoprofilaxia deve ser administrada?

Idealmente, o antibiótico deve ser administrado dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica, para que atinja níveis teciduais terapêuticos no momento da incisão.

Quais são os critérios para redosar o antibiótico profilático durante a cirurgia?

A redose é indicada em cirurgias que excedem duas meias-vidas do antibiótico utilizado, em casos de sangramento copioso (>1500 mL) ou em pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado, para manter a concentração sérica adequada.

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