SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 35 anos, hígida e sem comorbidades, está em sala cirúrgica para ser submetida a hemorroidectomia aberta. A enfermeira de sala está realizando o checklist de cirurgia segura da OMS quando checa a informação de antibioticoprofilaxia. O anestesista confirma a infusão de cefazolina 1 g endovenosa (EV) 30 minutos antes da indução anestésica. Com base nessa conduta, pode-se afirmar que:
Hemorroidectomia = profilaxia antibiótica desnecessária; não reduz taxa de infecção.
Em cirurgias orificiais como a hemorroidectomia, a flora local e a natureza do procedimento não justificam o uso de antibióticos profiláticos, pois não há evidência de redução em infecções de sítio cirúrgico.
A prática de antibioticoprofilaxia visa reduzir a carga bacteriana no sítio cirúrgico durante o período de maior vulnerabilidade, que compreende o momento da incisão até o fechamento da pele. Na hemorroidectomia, a ferida cirúrgica frequentemente é deixada aberta (técnica de Milligan-Morgan) ou em uma área onde a cicatrização ocorre por segunda intenção em contato direto com a microbiota retal. Evidências atuais sustentam que a profilaxia sistêmica de curto prazo não oferece proteção adicional contra infecções locais ou sistêmicas nesse contexto. Portanto, seguir o checklist da OMS e as diretrizes da ASCRS (American Society of Colon and Rectal Surgeons) é fundamental para evitar o uso irracional de antimicrobianos em procedimentos orificiais de baixo risco infeccioso.
Estudos clínicos e revisões sistemáticas demonstram que a taxa de infecção após hemorroidectomia é extremamente baixa. O uso de antibióticos profiláticos não altera significativamente esse desfecho clínico, não previne deiscências e não melhora o controle da dor pós-operatória, tornando a prática desnecessária e contribuindo para a resistência bacteriana.
A hemorroidectomia é classificada como uma cirurgia contaminada (Classe III), pois ocorre em uma região com alta carga bacteriana endógena. No entanto, a classificação de Altemeier sozinha não dita a necessidade de profilaxia; a decisão baseia-se na evidência de benefício clínico para o procedimento específico.
A cefazolina, uma cefalosporina de primeira geração, é o padrão-ouro para profilaxia em cirurgias limpas que envolvem implantes ou cirurgias limpo-contaminadas (como colecistectomias eletivas), visando principalmente a cobertura de cocos gram-positivos da pele, como o Staphylococcus aureus.
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