Profilaxia de Infecção em Revascularização do Miocárdio

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino de 62 anos será submetido a revascularização do miocárdio usando sua própria artéria mamária. Com relação à profilaxia de infecção de sítio cirúrgico, qual alternativa é correta?

Alternativas

  1. A) Segundo o potencial de contaminação, trata-se de uma cirurgia limpa. Como não será usada prótese, não há indicação de antibioticoprofilaxia.
  2. B) Há indicação de antibioticoprofilaxia, pois a infecção de sítio cirúrgico poderia ser catastrófica para o paciente.
  3. C) Trata-se de uma cirurgia potencialmente-contaminada (limpa-contaminada) e portanto há indicação de antibioticoprofilaxia, pois o risco de infecção de sítio cirúrgico esperado é superior a 5%.
  4. D) Não há indicação de antibioticoprofilaxia pois a idade do paciente é inferior a 65 anos e o mesmo não tem relato de imunossupressão.

Pérola Clínica

Cirurgia cardíaca (revascularização miocárdio) → sempre indicação de antibioticoprofilaxia, mesmo sendo limpa, devido ao risco catastrófico de infecção.

Resumo-Chave

Cirurgias cardíacas, embora classificadas como limpas, exigem antibioticoprofilaxia devido às graves consequências de uma infecção de sítio cirúrgico, que pode ser catastrófica para o paciente, aumentando morbidade e mortalidade.

Contexto Educacional

A profilaxia de infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma medida fundamental para reduzir a morbidade e mortalidade pós-operatória. A classificação das cirurgias quanto ao potencial de contaminação (limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e infectadas) é um guia inicial para a indicação de antibioticoprofilaxia. Cirurgias limpas, como a revascularização do miocárdio, são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou limpos, sem abertura de vísceras ocas, e com baixo risco de infecção. No entanto, a indicação de antibioticoprofilaxia não se baseia apenas na classificação do potencial de contaminação, mas também nas consequências de uma eventual infecção. Em cirurgias onde a infecção, mesmo rara, pode ser catastrófica (ex: cirurgias cardíacas, neurocirurgias, implante de próteses), a antibioticoprofilaxia é fortemente recomendada. A infecção de sítio cirúrgico em cirurgia cardíaca, como a mediastinite, é uma complicação grave que prolonga a internação, aumenta custos e eleva significativamente a mortalidade. As diretrizes atuais recomendam a administração de antibióticos de amplo espectro, geralmente cefalosporinas de primeira ou segunda geração, dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica, com doses adicionais se a cirurgia for prolongada ou houver perda sanguínea significativa. A duração da profilaxia geralmente não excede 24 horas. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns, como Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis, que são frequentemente encontrados na pele.

Perguntas Frequentes

Por que a antibioticoprofilaxia é crucial em cirurgias cardíacas?

A antibioticoprofilaxia é crucial em cirurgias cardíacas porque, apesar de serem classificadas como cirurgias limpas, uma infecção de sítio cirúrgico (como mediastinite) pode ter consequências devastadoras, levando a alta morbidade, mortalidade e custos elevados de tratamento.

Qual a classificação de risco de infecção para a revascularização do miocárdio?

A revascularização do miocárdio é geralmente classificada como uma cirurgia limpa, pois não há abertura de vísceras ocas e o campo operatório é estéril. No entanto, devido à sua complexidade e ao uso de materiais protéticos (fios de sutura, enxertos), o risco de infecção, embora baixo, é considerado de alto impacto.

Quais antibióticos são comumente usados para profilaxia em cirurgia cardíaca?

Os antibióticos mais comumente usados para profilaxia em cirurgia cardíaca são as cefalosporinas de primeira ou segunda geração (como cefazolina), devido ao seu espectro de ação contra Staphylococcus aureus e epidermidis, que são os principais patógenos envolvidos em infecções de sítio cirúrgico cardíaco.

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