Hérnia Inguinal Videolaparoscópica: Necessidade de Antibioticoprofilaxia?

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 37 anos, sem comorbidades, será submetido à correção videolaparoscópica de hérnia inguinal bilateral com o implante de tela de polipropileno. Pode-se afirmar, em relação à antibioticoprofilaxia prévia a incisão cirúrgica, que a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) cefazolina 2g venosa, imediatamente antes.
  2. B) cefazolina 2g venosa, 30 a 60 min antes.
  3. C) não realizar antibioticoprofilaxia.
  4. D) cefalexina 1g oral, 2horas antes.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal videolaparoscópica com tela = cirurgia limpa → não requer antibioticoprofilaxia de rotina.

Resumo-Chave

Cirurgias de hérnia inguinal, especialmente as videolaparoscópicas com implante de tela, são classificadas como cirurgias limpas. Nesses casos, a antibioticoprofilaxia de rotina não é indicada, pois o risco de infecção do sítio cirúrgico é baixo e o uso desnecessário de antibióticos contribui para a resistência antimicrobiana.

Contexto Educacional

A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida fundamental para reduzir a incidência de infecções do sítio cirúrgico (ISC), uma das complicações mais comuns em procedimentos operatórios. A decisão de realizar ou não a profilaxia depende da classificação da cirurgia, do tipo de procedimento e dos fatores de risco do paciente. Cirurgias são classificadas em limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e infectadas, sendo as cirurgias limpas aquelas em que não há abertura de vísceras ocas e o risco de infecção é mínimo. A correção de hérnia inguinal, especialmente por via videolaparoscópica com implante de tela de polipropileno, é considerada uma cirurgia limpa. Nesses casos, a profilaxia antibiótica de rotina não é recomendada para pacientes sem fatores de risco adicionais, como imunossupressão, diabetes descompensado ou cirurgias de longa duração. O uso indiscriminado de antibióticos em cirurgias de baixo risco não demonstrou benefício significativo na redução de ISC e, por outro lado, aumenta a pressão seletiva para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Portanto, a conduta adequada para um paciente jovem e sem comorbidades submetido à correção videolaparoscópica de hérnia inguinal bilateral com tela é não realizar antibioticoprofilaxia. A exceção seria em casos de hérnia estrangulada ou encarcerada, onde a cirurgia passa a ser classificada como limpa-contaminada ou contaminada, justificando o uso de antibióticos. A escolha do antibiótico, quando indicado, deve ser baseada nas diretrizes locais e na cobertura dos patógenos mais prováveis, geralmente cefazolina.

Perguntas Frequentes

Quando a antibioticoprofilaxia é indicada em cirurgias de hérnia inguinal?

A antibioticoprofilaxia é geralmente indicada em cirurgias de hérnia inguinal quando há fatores de risco para infecção, como imunossupressão, cirurgia de emergência, ou em casos de hérnias estranguladas ou encarceradas, que são consideradas cirurgias limpas-contaminadas ou contaminadas.

Qual a classificação da cirurgia de hérnia inguinal videolaparoscópica com tela?

A correção de hérnia inguinal videolaparoscópica com implante de tela de polipropileno é classificada como uma cirurgia limpa, pois não há abertura de vísceras ocas e o risco de contaminação é baixo.

Quais são os riscos do uso desnecessário de antibioticoprofilaxia?

O uso desnecessário de antibioticoprofilaxia contribui para o aumento da resistência antimicrobiana, pode causar efeitos adversos aos pacientes (como reações alérgicas e colite por Clostridioides difficile) e eleva os custos hospitalares.

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