UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Paciente feminina, 24 anos, portadora de estenose mitral, será submetida a valvoplastia, sem troca valvar, através de esternotomia e circulação extracorpórea. Nessa operação, cuja incisão cirúrgica é classificada como da categoria “limpa”, o uso de antibioticoprofilaxia:
Cirurgia cardíaca com CEC → profilaxia ATB sempre indicada, mesmo em ferida limpa, devido à gravidade da infecção.
Apesar de ser uma cirurgia classificada como 'limpa', a valvoplastia com circulação extracorpórea em paciente com estenose mitral possui alto risco de infecção com consequências devastadoras. Por isso, a antibioticoprofilaxia é mandatória para reduzir a morbimortalidade.
A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida fundamental para reduzir a incidência de infecções do sítio cirúrgico (ISC), que representam uma das principais causas de morbimortalidade pós-operatória. Em cirurgias cardíacas, como a valvoplastia para estenose mitral, a profilaxia é de suma importância devido à gravidade potencial de uma infecção, que pode levar a complicações como endocardite, mediastinite ou sepse, com altas taxas de mortalidade e sequelas graves. Embora a incisão cirúrgica seja classificada como 'limpa' (sem abertura de vísceras ocas ou inflamação pré-existente), o procedimento envolve a manipulação de estruturas vitais, o uso de circulação extracorpórea e, muitas vezes, a implantação de materiais protéticos (mesmo que não seja uma troca valvar, a manipulação da valva pode ser considerada de alto risco). Esses fatores aumentam significativamente a vulnerabilidade do paciente a infecções por microrganismos da flora cutânea ou hospitalar. O objetivo da profilaxia é atingir concentrações bactericidas do antibiótico no tecido no momento da incisão e mantê-las durante todo o procedimento e nas primeiras horas pós-operatórias. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais prováveis (geralmente Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis) e a duração deve ser curta, geralmente uma dose única ou até 24 horas, para minimizar a resistência antimicrobiana.
A antibioticoprofilaxia é sempre indicada em cirurgias cardíacas, independentemente da classificação da ferida cirúrgica, devido ao alto risco de infecções graves e suas consequências devastadoras, como endocardite infecciosa ou mediastinite.
Mesmo sendo classificada como cirurgia 'limpa', a valvoplastia mitral envolve manipulação de estruturas cardíacas e uso de circulação extracorpórea, aumentando o risco de infecções que, se ocorrerem, são extremamente graves e de difícil tratamento, justificando a profilaxia.
Os agentes mais comuns para profilaxia em cirurgias cardíacas são cefalosporinas de primeira ou segunda geração (como cefazolina), que cobrem Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis, os patógenos mais frequentes em infecções de sítio cirúrgico cardíaco.
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