UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Paciente de 75 anos, diabético tipo II, será submetido à gastrectomia atípica para ressecção de lesão GIST em fundo gástrico. Refere ter alergia a dipirona, contraste iodado e betalactâmicos. Nesse caso, a antibioticoprofilaxia mais indicada será com:
Alergia grave a betalactâmicos → Clindamicina ou Vancomicina são alternativas padrão.
Na impossibilidade de usar cefalosporinas por alergia, deve-se escolher um agente com cobertura para Gram-positivos e anaeróbios, como a clindamicina.
A antibioticoprofilaxia cirúrgica visa reduzir a carga bacteriana no sítio operatório, prevenindo infecções pós-operatórias. Em cirurgias gastroduodenais, os patógenos mais comuns são Gram-positivos da pele e flora orofaríngea/gástrica. A Cefazolina (cefalosporina de 1ª geração) é a droga de escolha devido ao seu espectro e perfil de segurança. No entanto, a alergia a betalactâmicos é um desafio clínico frequente. A escolha da Clindamicina neste cenário é fundamentada em diretrizes nacionais e internacionais (como as da ASHP e do Ministério da Saúde), garantindo proteção contra os principais agentes causadores de infecção de sítio cirúrgico (ISC) sem expor o paciente ao risco de anafilaxia.
A clindamicina é uma excelente alternativa para a profilaxia cirúrgica em pacientes com alergia grave (tipo I, mediada por IgE) a betalactâmicos. Ela oferece cobertura eficaz contra cocos Gram-positivos (como Staphylococcus aureus e Streptococcus spp.) e a maioria dos anaeróbios. Em cirurgias do trato gastrointestinal alto, como a gastrectomia, onde a flora predominante inclui esses patógenos, a clindamicina (muitas vezes associada a um aminoglicosídeo se houver necessidade de cobertura para Gram-negativos) substitui a cefazolina com segurança.
O risco de reação cruzada entre penicilinas e cefalosporinas de primeira geração (como a cefazolina) é estimado em cerca de 1% a 10%, dependendo da similaridade das cadeias laterais. No entanto, em pacientes com histórico de reações alérgicas graves (anafilaxia, angioedema, broncoespasmo), o uso de qualquer betalactâmico é geralmente evitado para minimizar riscos, optando-se por classes químicas distintas como lincosamidas (clindamicina) ou glicopeptídeos (vancomicina).
Para que a profilaxia seja eficaz, o antibiótico deve atingir níveis teciduais terapêuticos no momento da incisão cirúrgica. Geralmente, a administração deve ocorrer dentro de 60 minutos antes da incisão (ou 120 minutos para vancomicina e fluoroquinolonas devido ao tempo de infusão mais longo). Se a cirurgia se prolongar além de duas meias-vidas da droga ou houver perda sanguínea maciça (> 1500 mL), uma dose de reforço deve ser administrada intraoperatoriamente.
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