Antibioticoprofilaxia em Cirurgia Vascular com Prótese

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 48 anos de idade, tabagista crônico e hipertenso, é admitido em um hospital para correção de aneurisma aortoilíaco esquerdo, com a utilização de prótese vascular. Durante a checagem de informações do protocolo de cirurgia segura, a conduta adequada do cirurgião assistente é:

Alternativas

  1. A) Indicar antibioticoterapia e não profilaxia para minimizar o risco de infecção.
  2. B) Indicar antibioticoprofilaxia em cirurgia vascular porque há o uso de prótese.
  3. C) Indicar antibioticoprofilaxia em paciente porque há comorbidades.
  4. D) Não indicar antibioticoprofilaxia por tratar-se de cirurgia limpa.

Pérola Clínica

Cirurgia limpa + Implante de prótese → Antibioticoprofilaxia OBRIGATÓRIA.

Resumo-Chave

Em cirurgias vasculares com implante de material sintético, a antibioticoprofilaxia é mandatória devido ao risco de infecções graves e perda do enxerto, mesmo em procedimentos classificados como limpos.

Contexto Educacional

A antibioticoprofilaxia visa reduzir a carga bacteriana no sítio cirúrgico durante o procedimento, impedindo que microrganismos da pele do paciente ou do ambiente cirúrgico colonizem o local. Na cirurgia vascular, a infecção de uma prótese é uma complicação catastrófica, frequentemente resultando em pseudoaneurismas, hemorragias graves, perda de membros ou óbito. O protocolo de cirurgia segura da OMS enfatiza a checagem da administração do antibiótico antes da indução anestésica. A decisão de indicar a profilaxia baseia-se no risco de infecção e na gravidade das consequências caso ela ocorra. No caso de aneurismas aortoilíacos, o uso de próteses de Dacron ou PTFE torna a profilaxia inquestionável, independentemente das comorbidades do paciente, embora estas também possam influenciar o risco global.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação desta cirurgia quanto ao potencial de contaminação?

A correção de aneurisma aortoilíaco é classificada como uma cirurgia limpa, pois é realizada em tecidos originalmente estéreis, sem processo inflamatório local e sem penetração nos tratos digestivo, respiratório ou geniturinário. No entanto, a classificação de 'limpa' não exclui a necessidade de profilaxia quando há implante de materiais estranhos (próteses, órteses), pois a dose infectante de bactérias necessária para causar uma infecção de sítio cirúrgico é drasticamente reduzida na presença de material sintético.

Quais os antibióticos de escolha para profilaxia em cirurgia vascular?

As cefalosporinas de primeira geração, como a Cefazolina, são os agentes de escolha. Elas possuem excelente cobertura contra Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis, que são os principais patógenos envolvidos em infecções de próteses vasculares. A administração deve ocorrer preferencialmente 30 a 60 minutos antes da incisão cutânea para garantir níveis teciduais adequados no momento da abertura. Em casos de alergia grave a beta-lactâmicos, a Vancomicina ou Clindamicina podem ser alternativas.

Por quanto tempo deve ser mantida a antibioticoprofilaxia?

De acordo com as diretrizes atuais de segurança do paciente e prevenção de infecção (como as da OMS e do CDC), a antibioticoprofilaxia deve ser encerrada em até 24 horas após o término da cirurgia. Manter o antibiótico por períodos prolongados (antibioticoterapia) não reduz o risco de infecção de sítio cirúrgico e contribui para o aumento da resistência bacteriana e efeitos colaterais, como colite por Clostridioides difficile.

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