Anti-VEGF na Retinopatia Diabética Proliferativa

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente com retinopatia diabética proliferativa complementará seu tratamento com anti-VEGF intravítreo. Podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Deve-se priorizar a inibição das isoformas B do VEGF, uma vez que são as principais formadoras de neovasos.
  2. B) O ranibizumabe inibe todas as isoformas do VEGF-B, mas não as do VEGF-A.
  3. C) O bevacizumabe não permite que as isoformas de VEGF-A se liguem aos seus receptores.
  4. D) O uso de pegaptanibe não é mais utilizado, pois a droga não penetra nas camadas da retina.

Pérola Clínica

Bevacizumabe e Ranibizumabe = anticorpos/fragmentos que ligam e neutralizam todas as isoformas de VEGF-A.

Resumo-Chave

O tratamento da retinopatia diabética proliferativa com anti-VEGF baseia-se no bloqueio do VEGF-A, impedindo sua ligação aos receptores endoteliais e inibindo a angiogênese patológica.

Contexto Educacional

A Retinopatia Diabética Proliferativa (RDP) é caracterizada pela presença de neovascularização decorrente da isquemia retiniana crônica. O principal mediador desse processo é o VEGF (Vascular Endothelial Growth Factor), especificamente a família VEGF-A. Os fármacos anti-VEGF revolucionaram o tratamento, permitindo o controle da doença e a redução de complicações como hemorragia vítrea e descolamento de retina tracional. O bevacizumabe atua como um 'decoy receptor' ou armadilha, circulando no humor vítreo e capturando as moléculas de VEGF-A antes que elas ativem a cascata angiogênica. É importante notar que, embora eficazes, esses tratamentos muitas vezes requerem aplicações repetidas para manter a supressão do estímulo neovascular.

Perguntas Frequentes

Como o bevacizumabe atua na retina?

O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal de comprimento total que se liga a todas as isoformas solúveis do fator de crescimento endotelial vascular A (VEGF-A). Ao se ligar ao VEGF-A, ele impede fisicamente que esta molécula interaja com seus receptores (VEGFR-1 e VEGFR-2) na superfície das células endoteliais. Isso resulta na inibição da proliferação celular, redução da permeabilidade vascular e regressão de neovasos, sendo fundamental no tratamento da retinopatia diabética proliferativa e do edema macular diabético.

Qual a diferença entre o ranibizumabe e o bevacizumabe?

Embora ambos derivem da mesma molécula precursora e tenham como alvo o VEGF-A, o ranibizumabe é um fragmento de anticorpo (Fab) menor e foi otimizado para ter maior afinidade de ligação. O bevacizumabe é uma molécula de anticorpo inteira (IgG1). Na prática clínica, grandes estudos (como o CATT e o Protocolo T) demonstraram eficácia comparável entre ambos para diversas patologias retinianas, embora o bevacizumabe seja frequentemente utilizado 'off-label' devido ao seu custo significativamente menor.

Por que o pegaptanibe caiu em desuso?

O pegaptanibe foi o primeiro anti-VEGF aprovado para uso ocular, mas ele é um aptâmero que inibe seletivamente apenas a isoforma VEGF-165. Estudos posteriores mostraram que outras isoformas do VEGF-A também desempenham papéis críticos na angiogênese e no vazamento vascular. Drogas mais recentes, como ranibizumabe, bevacizumabe e aflibercepte, bloqueiam todas as isoformas de VEGF-A (e no caso do aflibercepte, também o PlGF), oferecendo resultados visuais e anatômicos superiores.

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