LES: Anti DNA Nativo e a Nefrite Lúpica

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024

Enunciado

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), é uma doença autoimune que tem diferentes manifestações. Assinale a alternativa que contém aquela mais relacionada com lesão renal do LES:

Alternativas

  1. A) Anti DNA nativo.
  2. B) Anti TPO.
  3. C) PCR.
  4. D) Teste de Coombs direito.

Pérola Clínica

LES: Anti DNA nativo = marcador específico de atividade, especialmente para nefrite lúpica.

Resumo-Chave

O anticorpo anti-DNA nativo (anti-dsDNA) é altamente específico para o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e seus títulos se correlacionam diretamente com a atividade da doença, sendo um marcador crucial para o diagnóstico e acompanhamento da nefrite lúpica, a manifestação renal mais grave do LES.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e disfunção imune. Sua prevalência varia globalmente, sendo mais comum em mulheres em idade fértil. O LES pode afetar virtualmente qualquer órgão, e a lesão renal, conhecida como nefrite lúpica, é uma das manifestações mais graves e um dos principais determinantes do prognóstico e da morbimortalidade da doença. A fisiopatologia do LES envolve uma complexa interação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos, levando à perda da autotolerância e à produção de autoanticorpos contra componentes nucleares. Na nefrite lúpica, imunocomplexos contendo anti-DNA nativo se depositam nos glomérulos, ativando o complemento e desencadeando uma resposta inflamatória que danifica o tecido renal. O diagnóstico da nefrite lúpica é feito pela presença de proteinúria, hematúria, cilindros celulares e/ou elevação da creatinina, confirmada por biópsia renal. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com LES que desenvolva alterações urinárias ou disfunção renal. O tratamento da nefrite lúpica é agressivo, geralmente envolvendo corticosteroides e imunossupressores (como ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila), visando induzir a remissão e prevenir a progressão para doença renal terminal. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas a monitorização contínua da atividade da doença e da função renal é essencial. O anti-DNA nativo é um marcador crucial para monitorar a atividade da doença, especialmente a renal, e guiar as decisões terapêuticas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?

O diagnóstico de LES é baseado em critérios clínicos (como artrite, serosite, lesões cutâneas, manifestações neurológicas, hematológicas e renais) e laboratoriais (como FAN positivo, anti-DNA nativo, anti-Sm, hipocomplementemia, Coombs direto positivo), conforme as classificações ACR ou EULAR/ACR.

Por que o anti-DNA nativo é tão importante na nefrite lúpica?

O anti-DNA nativo é um autoanticorpo que se liga ao DNA de dupla hélice. Em pacientes com nefrite lúpica, esses anticorpos formam imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação e dano renal. Seus títulos geralmente se correlacionam com a atividade da doença renal.

Quais outras manifestações renais podem ocorrer no LES além da nefrite lúpica?

Além da nefrite lúpica (que é a mais comum e grave), pacientes com LES podem desenvolver outras formas de lesão renal, como nefrite túbulo-intersticial, vasculopatia renal e, mais raramente, síndrome nefrótica por outras causas secundárias.

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