USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente, 60 anos, antecedente de dois partos vaginais e menopausa aos 50 anos sem terapia hormonal. Nega procedimentos cirúrgicos prévios. Queixa-se de obstipação e de dificuldade para exoneração fecal. Frequentemente introduz o dedo na vagina para auxiliar na evacuação. Nega perda urinária. Exame ginecológico: pilificação compatível com a idade; rotura perineal de primeiro grau; procidência de parede vaginal anterior e posterior às manobras de esforço; especular com conteúdo vaginal habitual; colo uterino epitelizado.Qual é o tratamento mais adequado?
Dificuldade evacuatória + manobra digital vaginal + procidência parede vaginal posterior → Retocele = Colporrafia posterior.
A paciente apresenta sintomas clássicos de retocele (dificuldade evacuatória, manobra digital para auxiliar) e achados de exame físico compatíveis (procidência da parede vaginal posterior). A colporrafia da fáscia reto-vaginal (colporrafia posterior) é o tratamento cirúrgico indicado para corrigir a retocele e restaurar a anatomia do assoalho pélvico.
A retocele é um tipo de prolapso de órgãos pélvicos que ocorre quando o reto se hernia para dentro da vagina através de um defeito na fáscia reto-vaginal. É uma condição comum em mulheres multíparas, especialmente após a menopausa, devido ao enfraquecimento dos tecidos de suporte do assoalho pélvico. A paciente do caso clínico apresenta a tríade clássica de sintomas: obstipação, dificuldade para exoneração fecal e a necessidade de manobra digital (digitopresão vaginal) para auxiliar a evacuação, o que é altamente sugestivo de retocele. Ao exame ginecológico, a procidência da parede vaginal posterior durante as manobras de esforço confirma o diagnóstico. A rotura perineal de primeiro grau também é um fator de risco para disfunções do assoalho pélvico. Embora a paciente também apresente procidência da parede vaginal anterior (cistocele), a queixa principal e a manobra digital direcionam o tratamento para a correção da retocele. O tratamento mais adequado para a retocele sintomática é cirúrgico, sendo a colporrafia da fáscia reto-vaginal (também conhecida como colporrafia posterior) o procedimento padrão. Esta cirurgia visa reforçar a parede vaginal posterior e restaurar a anatomia normal do assoalho pélvico, aliviando os sintomas de dificuldade evacuatória e melhorando a qualidade de vida da paciente. Medidas conservadoras, como fisioterapia do assoalho pélvico e manejo da obstipação, podem ser tentadas em casos leves ou como adjuvantes.
Os sintomas típicos de uma retocele incluem dificuldade para evacuar (obstipação), sensação de peso ou abaulamento vaginal, necessidade de manobras digitais (digitopresão perineal ou vaginal) para auxiliar a evacuação, e dor durante a relação sexual (dispareunia).
O diagnóstico de retocele é primariamente clínico, baseado na história da paciente e no exame ginecológico, que revela a protusão da parede vaginal posterior durante as manobras de esforço. Exames complementares como defecografia podem ser úteis para avaliar a gravidade e a dinâmica da disfunção.
Cistocele é o prolapso da bexiga para a parede vaginal anterior, causando sintomas urinários como incontinência ou dificuldade para urinar. Retocele é o prolapso do reto para a parede vaginal posterior, causando sintomas de dificuldade evacuatória e obstipação.
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