Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Homem de 57 anos apresenta quadro de síndrome coronariana aguda com elevação de ST de V1 a V4. A angiografia coronária percutânea (ACP) revela: oclusão da artéria descendente anterior esquerda (ADAE) proximal sem fluxo de vaso colateral; circunflexa esquerda e coronária direita estão patentes, sem obstrução significativa. A intervenção percutânea primária restaura o fluxo da ADAE. Exame físico após a intervenção coronária: pressão arterial: 120 x 70 mmHg; frequência cardíaca: 70 bpm; ausculta pulmonar com estertores bibasilares, sem sibilos; cardíaco: 4a bulha proeminente e sopro holossistólico apical grau II/VI; extremidades estão normais. Ecocardiografia: fração de ejeção ventricular esquerda de 34% com acinesia ântero-apical e regurgitação mitral moderada. O tratamento atual consiste em aspirina em baixa dose, clopidogrel, atorvastatina, metoprolol e lisinopril. Antes da alta hospitalar, qual intervenção tem maior probabilidade de reduzir ainda mais a mortalidade desse paciente?
Pós-IAM com FEVE ≤ 40% e IC/DM → adicionar ARM (eplerenona/espironolactona) para ↓ mortalidade.
Pacientes com disfunção ventricular esquerda significativa (FEVE ≤ 40%) após infarto agudo do miocárdio, especialmente com sinais de insuficiência cardíaca ou diabetes, beneficiam-se da adição de um antagonista do receptor de mineralocorticoide (ARM) como eplerenona ou espironolactona. Essa classe de medicamentos demonstrou reduzir a mortalidade e a morbidade nesse cenário.
A síndrome coronariana aguda com elevação do segmento ST (SCAEST) é uma emergência médica que requer reperfusão coronariana imediata. Após o evento agudo e a reperfusão bem-sucedida, o manejo a longo prazo visa prevenir eventos futuros e tratar complicações, como a insuficiência cardíaca (IC) pós-infarto. A IC com fração de ejeção reduzida (HFrEF) é uma complicação grave que aumenta significativamente a morbidade e mortalidade. O tratamento da HFrEF pós-infarto é multifacetado e inclui inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), betabloqueadores e antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM). A eplerenona, um ARM, é particularmente indicada para pacientes com FEVE ≤ 40% e sintomas de IC ou diabetes, pois demonstrou reduzir a mortalidade cardiovascular e as hospitalizações por IC. A introdução da eplerenona deve ser feita com cautela, monitorando-se a função renal e os níveis séricos de potássio, devido ao risco de hipercalemia e piora da função renal. A otimização da terapia medicamentosa antes da alta hospitalar é crucial para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes, sendo um ponto chave para residentes.
Pacientes com infarto agudo do miocárdio que desenvolvem disfunção ventricular esquerda (FEVE ≤ 40%) e apresentam sintomas de insuficiência cardíaca ou diabetes mellitus são candidatos à terapia com eplerenona.
A eplerenona é um antagonista seletivo do receptor de mineralocorticoide, que bloqueia os efeitos deletérios da aldosterona no coração e vasos, como fibrose e remodelamento, melhorando o prognóstico.
As principais contraindicações incluem hipercalemia (K+ > 5,0 mEq/L), insuficiência renal grave (CrCl < 30 mL/min) e uso concomitante de inibidores potentes do CYP3A4.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo