Pós-IAM com FE Reduzida: Quando Usar Espironolactona

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 49 anos, diabético e hipertenso, apresentou infarto agudo do miocárdio de parede anterior, foi submetido à angioplastia primária após 4 horas do início dos sintomas e evoluiu sem sinais clínicos ou radiológicos de insuficiência cardíaca. O ecocardiograma revelou disfunção sistólica do ventrículo esquerdo e fração de ejeção de 38%, com acinesia da parede anterior. Exames laboratoriais: creatinina: 1,85 mg/dL; ureia: 66 mg/dL; potássio: 3,8 mEq/L; triglicerídeos: 110 mg/dL. Foi medicado com AAS 100 mg; clopidogrel 75 mg; captopril 150 mg/dia; metoprolol 50 mg; atorvastatina 80 mg/dia, insulina glargina e regular. Apresenta, no momento, PA = 120 x 80 mmHg; FC = 60 bpm. O tratamento farmacológico ideal deverá ainda incluir

Alternativas

  1. A) espironolactona.
  2. B) hidralazina e isossorbida.
  3. C) valsartana.
  4. D) anlodipina.
  5. E) metformina.

Pérola Clínica

Pós-IAM com FE < 40% e IC ou DM → Espironolactona (se Cr < 2,5 e K < 5,0).

Resumo-Chave

Pacientes pós-IAM com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (FE ≤ 40%) e/ou insuficiência cardíaca, mesmo que assintomáticos, ou com diabetes mellitus, devem receber um antagonista do receptor mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona, desde que não haja contraindicações como insuficiência renal grave ou hipercalemia.

Contexto Educacional

O manejo do paciente pós-infarto agudo do miocárdio (IAM) com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (FE reduzida) é crucial para otimizar o prognóstico e prevenir eventos futuros. A terapia medicamentosa nesses pacientes visa o bloqueio neuro-hormonal e a prevenção do remodelamento ventricular adverso. O paciente em questão apresenta disfunção sistólica do VE (FE de 38%), além de ser diabético e hipertenso, fatores que aumentam o risco cardiovascular. Ele já está em uso de AAS, clopidogrel, captopril (inibidor da ECA), metoprolol (betabloqueador) e atorvastatina, que são pilares do tratamento pós-IAM. No entanto, a presença de FE reduzida (< 40%) e diabetes mellitus, sem contraindicações como hipercalemia ou insuficiência renal grave (creatinina 1,85 mg/dL e potássio 3,8 mEq/L são aceitáveis), indica a necessidade de adicionar um antagonista do receptor mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona. A espironolactona demonstrou, em estudos como o RALES e o EPHESUS, reduzir a mortalidade e a morbidade em pacientes com insuficiência cardíaca e disfunção ventricular esquerda pós-IAM, independentemente da presença de sintomas de IC. Ela atua bloqueando os efeitos deletérios da aldosterona no miocárdio e nos vasos, prevenindo o remodelamento e a fibrose. Portanto, a inclusão da espironolactona é uma etapa fundamental para otimizar o tratamento deste paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação da espironolactona em pacientes pós-infarto?

A espironolactona é indicada em pacientes pós-IAM que apresentam disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (fração de ejeção ≤ 40%), com ou sem sintomas de insuficiência cardíaca, e/ou diabetes mellitus, desde que a função renal e os níveis de potássio sejam adequados.

Quais os benefícios da espironolactona no pós-IAM com FE reduzida?

A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, demonstrou reduzir a mortalidade e a morbidade, prevenir o remodelamento ventricular adverso e diminuir o risco de hospitalizações por insuficiência cardíaca.

Quais são as contraindicações para o uso de espironolactona?

As principais contraindicações incluem insuficiência renal grave (creatinina > 2,5 mg/dL em homens ou > 2,0 mg/dL em mulheres, ou TFG < 30 mL/min/1,73m²) e hipercalemia (potássio > 5,0 mEq/L).

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