Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
G.M.A., 29 anos, com queixa de amenorreia há 11 meses, após suspensão do anticoncepcional oral combinado. Queixa-se de aumento de pelos no corpo. Ao exame físico: IMC 27 kg/m², normotensa, cintura abdominal 80 cm, acne grau 2, índice de Ferriman-Gallwey de 14 e o restante do exame sem alterações. Exames laboratoriais: beta HCG negativo, TSH 1,9 mUI/ml, T4 livre 1,3 ng/dL, PRL 7,8; FSH: 8 mUI/mL. Assinale o provável diagnóstico.
Amenorreia secundária + hirsutismo/acne + exames hormonais normais (exceto androgênios) → Anovulação crônica hiperandrogênica (SOP).
A paciente apresenta amenorreia secundária, sinais clínicos de hiperandrogenismo (hirsutismo e acne) e exclusão de outras causas de amenorreia (gravidez, tireoide, prolactina). O quadro é altamente sugestivo de anovulação crônica hiperandrogênica, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) a causa mais comum.
A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por 3 ciclos consecutivos ou 6 meses em mulheres que já menstruavam, é uma queixa comum na ginecologia. A investigação deve ser sistemática, excluindo gravidez, disfunções tireoidianas, hiperprolactinemia e insuficiência ovariana precoce. No caso apresentado, a paciente tem 29 anos, amenorreia há 11 meses após suspensão de ACO, e sinais claros de hiperandrogenismo: aumento de pelos (hirsutismo, Ferriman-Gallwey de 14) e acne grau 2. Os exames laboratoriais (beta HCG negativo, TSH e T4 livre normais, PRL normal, FSH normal) excluem as principais causas de amenorreia secundária, como gravidez, hipotireoidismo, hiperprolactinemia e insuficiência ovariana precoce (FSH elevado seria indicativo). O FSH normal, inclusive, afasta a insuficiência ovariana precoce. A presença de amenorreia e hiperandrogenismo, na ausência de outras causas, aponta fortemente para a anovulação crônica hiperandrogênica, cujo protótipo é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A SOP é uma endocrinopatia complexa caracterizada por disfunção ovariana (anovulação/oligovulação), hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. A amenorreia pós-pílula é comum em mulheres com SOP subjacente, pois o ACO mascarava os sintomas. O tratamento visa controlar os sintomas, restaurar a ovulação se houver desejo de engravidar, e reduzir os riscos metabólicos associados, como resistência à insulina e dislipidemia.
Os critérios de Rotterdam incluem a presença de dois dos três seguintes: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
É fundamental excluir gravidez (beta HCG), disfunções tireoidianas (TSH, T4L), hiperprolactinemia (PRL), insuficiência ovariana precoce (FSH elevado) e outras endocrinopatias como hiperplasia adrenal congênita ou tumores produtores de androgênios.
O índice de Ferriman-Gallwey é uma ferramenta clínica para quantificar o hirsutismo, avaliando o crescimento de pelos terminais em nove áreas do corpo. Um índice ≥ 8 é geralmente considerado indicativo de hirsutismo clinicamente significativo.
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