INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher com 30 anos procura o médico na unidade básica de saúde e, em consulta, relata que, há 9 meses, parou de usar o anticoncepcional oral combinado e que não voltou a menstruar até o momento. Refere também uso desse método contraceptivo por 10 anos e aumento de pelos no corpo.O exame ginecológico, apresenta-se normal. No exame físico, verificam-se: índice de massa corporal de 27 kg/m2 ; pressão arterial de 110 x 72 mmHg; cintura abdominal de 80 cm; acne e hirsutismo moderado.Os exames complementares apresentam os seguintes resultados: Beta-hCG negativo; TSH = 2,5 mUI/L (valor de referência - VR: 0,3 a 4,0 UI/L); prolactina = 18 ng/mL (VR: < 31 ng/mL); FSH = 6 mUI/mL (VR: 2 a 30 mUI/mL).Diante do quadro clínico da paciente, o diagnóstico é de amenorreia secundária por
Amenorreia secundária + hirsutismo/acne + FSH/prolactina/TSH normais → Anovulação Crônica Hiperandrogênica (SOP).
A amenorreia secundária, especialmente após a interrupção de ACO, combinada com sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne) e exames hormonais básicos normais (TSH, prolactina, FSH), sugere fortemente anovulação crônica hiperandrogênica, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) a causa mais comum.
A amenorreia secundária é definida como a ausência de menstruação por um período de três ciclos menstruais ou seis meses em mulheres que já menstruavam regularmente. É uma condição comum na prática ginecológica e exige uma investigação sistemática para determinar a causa subjacente. No caso apresentado, a paciente tem amenorreia há 9 meses após a interrupção do anticoncepcional oral combinado (ACO), associada a sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo e acne). A normalidade dos exames de Beta-hCG, TSH, prolactina e FSH exclui gravidez, disfunção tireoidiana, hiperprolactinemia e falência ovariana prematura, respectivamente. Este quadro clínico é altamente sugestivo de anovulação crônica hiperandrogênica, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) a causa mais prevalente. A SOP é uma endocrinopatia complexa caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. O uso prolongado de ACOs pode mascarar a SOP, e os sintomas se tornam evidentes após a interrupção. O diagnóstico é clínico e laboratorial, conforme os critérios de Rotterdam, e o tratamento visa o manejo dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo.
Os critérios de Rotterdam (mais utilizados) exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia (12 ou mais folículos de 2-9mm em cada ovário e/ou volume ovariano > 10 cm³), após exclusão de outras causas.
Os ACOs regulam o ciclo menstrual, suprimem a ovulação e reduzem os níveis de androgênios, controlando os sintomas da SOP como amenorreia, hirsutismo e acne. Ao interromper o ACO, os sintomas subjacentes da SOP podem reaparecer ou se tornar evidentes.
É fundamental excluir gravidez (Beta-hCG), disfunções tireoidianas (TSH), hiperprolactinemia (prolactina), falência ovariana prematura (FSH elevado) e outras endocrinopatias como hiperplasia adrenal congênita não clássica ou tumores produtores de androgênios.
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