AGC no Papanicolau: Qual a Conduta Adequada?

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 33 anos, G2PC2, último parto há 3 anos, realizou última coleta de colpocitologia durante o último pré-natal, sem anormalidades citológicas de acordo com a informação da paciente. Refere ciclos menstruais regulares em uso de contraceptivo hormonal injetável mensal. Comparece para checar o resultado da colócitologia que evidencia amostra satisfatória com epitélio metaplásico e cilíndrico e anormalidades em células glandulares sem outras especificações. Qual a conduta mais adequada para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar colposcopia.
  2. B) Realizar ultrassom transvaginal.
  3. C) Solicitar biologia molecular.
  4. D) Repetir colpocitologia.

Pérola Clínica

Colpocitologia com 'anormalidades em células glandulares' (AGC) → sempre investigar com colposcopia.

Resumo-Chave

Anormalidades em células glandulares (AGC) no Papanicolau são achados significativos que indicam um risco elevado de lesões pré-malignas ou malignas, tanto cervicais (adenocarcinoma in situ, adenocarcinoma) quanto endometriais ou de outras origens. A colposcopia é a conduta inicial padrão para avaliar a extensão e a natureza da lesão.

Contexto Educacional

As anormalidades em células glandulares (AGC) na colpocitologia representam um achado de grande importância no rastreamento do câncer de colo uterino. Ao contrário das lesões escamosas, as anormalidades glandulares são menos comuns, mas estão associadas a um risco significativamente maior de patologia cervical de alto grau ou câncer invasivo, incluindo adenocarcinoma in situ e adenocarcinoma. A prevalência de AGC varia, mas sua detecção exige uma abordagem diagnóstica rigorosa devido à sua potencial gravidade. Quando um resultado de Papanicolau indica AGC, a conduta mais adequada e recomendada pelas diretrizes é a realização de colposcopia. Este procedimento permite a visualização magnificada do colo do útero, identificando áreas suspeitas para biópsia direcionada. A colposcopia é crucial para determinar a origem e a extensão das anormalidades glandulares, que podem ser cervicais, endometriais ou até mesmo de outras localizações. Em alguns casos, pode ser necessário complementar a investigação com curetagem endocervical e/ou biópsia endometrial, dependendo da idade da paciente e de outros fatores de risco. É fundamental que residentes e profissionais de saúde compreendam que a repetição da citologia não é uma conduta apropriada para AGC, dada a alta probabilidade de lesões significativas. A investigação imediata e completa é essencial para um diagnóstico precoce e um manejo adequado, visando prevenir a progressão para câncer invasivo e melhorar o prognóstico das pacientes. O conhecimento das diretrizes de manejo de AGC é um ponto crítico para a prática ginecológica.

Perguntas Frequentes

O que significa 'anormalidades em células glandulares' (AGC) no Papanicolau?

AGC é uma categoria da citologia cervical que indica alterações nas células glandulares do colo do útero, endométrio ou outras origens. Pode abranger desde atipias reativas até lesões pré-malignas (adenocarcinoma in situ) ou malignas (adenocarcinoma invasivo).

Por que a colposcopia é a conduta inicial para AGC?

A colposcopia é essencial para visualizar o colo do útero, identificar a origem das células glandulares atípicas e realizar biópsias direcionadas. O risco de lesões significativas é alto, e a colposcopia permite uma avaliação mais detalhada do epitélio glandular e escamoso.

Quais são os riscos associados a um resultado de AGC?

O AGC está associado a um risco de 10-40% de lesões de alto grau ou câncer invasivo, incluindo adenocarcinoma in situ, adenocarcinoma cervical, lesões escamosas de alto grau (HSIL) e até mesmo patologias endometriais ou ovarianas, justificando uma investigação aprofundada.

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