Genitália Atípica RN: Hiperplasia Adrenal Congênita XX

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Ao nascimento, RN apresenta falo de 2,3 cm com fusão de saliências labioescrotais e gônadas impalpáveis. Qual é o diagnóstico de Anormalidade de Diferenciação Sexual (ADS) mais comum em RNs com genitália atípica?

Alternativas

  1. A) ADS XX ovotesticular.
  2. B) ADS XX hiperplasia adrenal congênita.
  3. C) ADS XY hiperplasia adrenal congênita.
  4. D) ADS XY/X disgenesia gonadal mista.

Pérola Clínica

RN com genitália atípica (falo aumentado, fusão labioescrotal, gônadas impalpáveis) → pensar em ADS XX por Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) como causa mais comum.

Resumo-Chave

A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase é a causa mais comum de genitália ambígua em recém-nascidos com cariótipo 46,XX. A exposição intrauterina a androgênios excessivos leva à virilização, com clitoromegalia e fusão labioescrotal.

Contexto Educacional

As Anormalidades de Diferenciação Sexual (ADS), anteriormente conhecidas como distúrbios do desenvolvimento sexual, representam um grupo heterogêneo de condições congênitas em que o desenvolvimento cromossômico, gonadal ou anatômico do sexo é atípico. A genitália atípica em recém-nascidos é uma emergência médica e social, exigindo uma investigação rápida e multidisciplinar. A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase é a causa mais comum de genitália ambígua em indivíduos com cariótipo 46,XX. Na HAC, um defeito enzimático (mais comumente a 21-hidroxilase) na via de síntese dos hormônios adrenais leva à deficiência de cortisol e/ou aldosterona e ao acúmulo de precursores que são desviados para a via de síntese de androgênios. Em fetos femininos (46,XX), a exposição intrauterina a esses androgênios excessivos resulta em virilização da genitália externa, manifestando-se como clitoromegalia (falo aumentado), fusão das pregas labioescrotais e um seio urogenital comum. As gônadas são ovários normais, mas impalpáveis. O diagnóstico é suspeitado pela genitália atípica e confirmado pela dosagem de 17-hidroxiprogesterona elevada no sangue (triagem neonatal). O manejo imediato inclui a determinação do cariótipo, avaliação hormonal e, crucialmente, o início da terapia de reposição com glicocorticoides e, se necessário, mineralocorticoides para prevenir a crise adrenal perdedora de sal, que pode ser fatal. A atribuição de gênero e o aconselhamento familiar são aspectos delicados e importantes do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de genitália atípica em um recém-nascido que sugerem HAC XX?

Sinais incluem clitoromegalia (falo aumentado), fusão das pregas labioescrotais, e gônadas impalpáveis. Em casos graves, a genitália pode se assemelhar a um escroto com pênis.

Por que a Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) causa genitália atípica em RNs XX?

Na HAC por deficiência de 21-hidroxilase, há um bloqueio na síntese de cortisol e aldosterona, levando ao acúmulo de precursores que são desviados para a via de síntese de androgênios. O excesso de androgênios intrauterinos causa virilização da genitália externa em fetos femininos (46,XX).

Qual a importância do diagnóstico precoce da HAC em recém-nascidos?

O diagnóstico precoce é crucial para iniciar a terapia de reposição hormonal e prevenir a crise adrenal perdedora de sal, uma emergência com risco de vida devido à deficiência de aldosterona, que pode ocorrer nas primeiras semanas de vida.

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