PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o relato do caso clínico a seguir: S. L. M., 16 anos de idade, sexo feminino, veio para consulta, trazida por sua mãe, que está preocupada com a fraqueza e perda de peso de sua filha no último ano (mais de 10 kg). Mãe acha que ela está comendo muito pouco, que anda muito ansiosa e fica muito tempo no celular. Nega febre, diarreia, vômitos ou antecedentes de doenças crônicas. Quando a adolescente é ouvida sem a presença da mãe, relata que sua mãe é exagerada e que ela própria não se acha magra. Aliás, pensa que ainda não está no seu peso ideal e que faz todo esforço para perder peso, pois não está satisfeita com o seu corpo. Não quer ser gorda de jeito nenhum. Ela tem orgulho de si, quando consegue passar o dia com uma maçã e manter o controle do seu peso. Confessa que, algumas vezes provoca vômitos, cerca de quatro vezes por semana, para acelerar a perda de peso. Nega compulsão alimentar, pois sempre controla a quantidade do que ingere. Relata ter sentido um pouco de tonteira nos últimos dois meses, mas acha que é pelo excesso de preocupações com os estudos. Concorda que é um pouco ansiosa e perfeccionista. Ao exame: BEG; hipocorada 1+; desidratada leve; eupneica; afebril. Peso = 35 kg; estatura = 1,65; IMC = 12,85(Z < - 3); PA = 86×50 mmHg; FR = 16 irpm, FC = 56 bpm. De acordo com o caso relatado, qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta a ser adotada?
Anorexia (Baixo Peso + Medo de engordar) ≠ Bulimia (Peso Normal/Alto + Compulsão).
A Anorexia Nervosa Purgativa define-se pelo baixo peso crítico (IMC < 18,5 ou Z-escore < -2) associado a métodos compensatórios, exigindo internação se houver instabilidade hemodinâmica.
A Anorexia Nervosa é um transtorno psiquiátrico grave com uma das maiores taxas de mortalidade entre as doenças mentais, devido às complicações médicas da inanição e ao risco de suicídio. O quadro clínico clássico envolve uma busca implacável pela magreza, distorção da imagem corporal e medo intenso de ganhar peso. Em adolescentes, o impacto no crescimento e desenvolvimento puberal pode ser devastador, tornando o diagnóstico precoce essencial. O manejo deve ser obrigatoriamente multidisciplinar, envolvendo psiquiatra, psicólogo, nutricionista e pediatra/hebiatra. A estabilização clínica inicial foca na correção de distúrbios eletrolíticos e na realimentação cautelosa para evitar a Síndrome de Realimentação (caracterizada por hipofosfatemia grave). O tratamento a longo prazo visa a recuperação do peso, a normalização do comportamento alimentar e a reestruturação cognitiva sobre a imagem corporal.
A diferença fundamental reside no peso corporal e na presença de compulsão alimentar. Na Anorexia Nervosa (mesmo no subtipo purgativo), o paciente apresenta peso significativamente baixo (IMC < 18,5 em adultos ou escore-Z < -2 em crianças/adolescentes) e restrição calórica severa. Na Bulimia Nervosa, o peso costuma estar normal ou acima do esperado, e o quadro é marcado por episódios de compulsão alimentar (binge eating) seguidos de métodos compensatórios, o que não ocorre obrigatoriamente na anorexia.
A internação é indicada em casos de instabilidade clínica ou risco de vida: IMC muito baixo (geralmente < 15 ou perda ponderal > 20-25% em pouco tempo), bradicardia extrema (< 40-50 bpm), hipotensão arterial, arritmias, distúrbios hidroeletrolíticos graves (hipocalemia), recusa alimentar total ou risco de suicídio. No caso clínico apresentado, o IMC de 12,85 e a bradicardia/hipotensão tornam a internação mandatória.
O subtipo purgativo é caracterizado por indivíduos que, durante o episódio atual de anorexia nervosa, envolvem-se regularmente em comportamentos de purgação, como vômitos autoinduzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Diferencia-se do subtipo restritivo, onde a perda de peso é obtida exclusivamente por dieta, jejum e/ou exercício excessivo, sem episódios de purgação recorrentes.
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