INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente com 22 anos foi atendida na atenção primária, acompanhada pelos pais, que estão preocupados com sua perda de peso. Eles contam que, desde os 14 anos, ela come muito pouco e que já esteve internada para “ser alimentada”. A paciente também refere ansiedade e palpitações que estão afetando o seu dia a dia. Os pais dizem que não sabem exatamente o quanto a paciente está comendo agora, mas que ela não provoca vômitos ou abusa de medicamentos. Ao exame físico, o índice de massa corporal da paciente é 14,8 kg/m² e sua pressão arterial está normal (100 × 60 mmHg), mas ela apresenta hipotensão postural assintomática (queda de 18 mmHg na diastólica), desidratação e frequência cardíaca de 42 batimentos por minuto.Diante dessa situação, o médico deve
Anorexia Nervosa grave (IMC < 15, bradicardia, hipotensão postural) → Internação hospitalar urgente.
Pacientes com anorexia nervosa e IMC muito baixo (<15 kg/m²), bradicardia e hipotensão postural apresentam risco elevado de complicações cardiovasculares e desequilíbrios eletrolíticos, necessitando de internação hospitalar em ambiente terciário para estabilização clínica e início de realimentação supervisionada.
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave, caracterizado por restrição alimentar extrema, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal. É uma condição com alta morbidade e mortalidade, sendo crucial o reconhecimento precoce e a intervenção adequada. A gravidade é determinada pelo IMC e pela presença de complicações clínicas. A paciente do caso apresenta um IMC de 14,8 kg/m², que é considerado muito baixo e um critério de gravidade. Além disso, a bradicardia (42 bpm) e a hipotensão postural assintomática (queda de 18 mmHg na diastólica) são sinais de instabilidade hemodinâmica e desnutrição grave, indicando um risco iminente de complicações cardiovasculares. A desidratação também contribui para a gravidade do quadro. Diante de um quadro de anorexia nervosa grave com instabilidade clínica, a conduta prioritária é o encaminhamento para avaliação em hospital terciário para possível internação. O objetivo da internação é a estabilização clínica, a realimentação gradual e monitorada para evitar a síndrome de realimentação, e o início do tratamento psiquiátrico e nutricional intensivo. O manejo ambulatorial ou o uso isolado de psicofármacos não são adequados para pacientes com tamanha gravidade.
Critérios incluem IMC < 15 kg/m², bradicardia (< 40 bpm), hipotensão postural, desidratação grave, desequilíbrios eletrolíticos, arritmias cardíacas e falha do tratamento ambulatorial.
Esses sinais indicam instabilidade hemodinâmica e risco de colapso cardiovascular, refletindo a desnutrição grave e a adaptação fisiológica do corpo à restrição calórica extrema.
O objetivo primário é a estabilização clínica e a realimentação gradual e supervisionada para restaurar o peso e corrigir as alterações metabólicas, minimizando o risco de síndrome de realimentação.
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