INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Mulher de 21 anos comparece à consulta médica em Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação de amenorreia há 4 meses, sendo descartada gravidez. Paciente relata que há 10 meses iniciou dieta para perder peso, tendo emagrecido nesse período aproximadamente 30 kg. Há 2 dias relata desmaio durante prática de exercício físico e, por isso, realizou eletrocardiograma (ECG) que indicou alterações no segmento ST e na onda T. Paciente nega histórico de diagnóstico de transtorno mental, mora sozinha e sua família é de outra cidade. Afirma manter o padrão alimentar, pois ainda quer perder peso. Ao exame físico, apresenta palidez de mucosa e turgor cutâneo diminuído. Altura = 1,63 m; peso = 39 kg (IMC = 14,7 kg/m²); pressão arterial = 80 x 60 mmHg; frequência cardíaca = 55 bpm e frequência respiratória = 15 irpm. Qual é a conduta adequada nesse momento?
Anorexia nervosa com IMC < 15, bradicardia, hipotensão ou alterações ECG → internação em clínica médica para estabilização.
Pacientes com anorexia nervosa que apresentam desnutrição grave (IMC < 15 kg/m²), instabilidade hemodinâmica (hipotensão, bradicardia), síncope ou alterações eletrocardiográficas (ST-T) têm alto risco de complicações e necessitam de internação hospitalar em enfermaria de clínica médica para estabilização clínica e início cauteloso da realimentação, visando prevenir a síndrome de realimentação.
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave caracterizado por restrição alimentar, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal, resultando em baixo peso. É uma condição com alta morbimortalidade, especialmente quando há desnutrição grave e complicações clínicas. A epidemiologia mostra maior prevalência em mulheres jovens, e a importância clínica reside no reconhecimento precoce das manifestações físicas e na intervenção imediata para evitar desfechos fatais. A amenorreia, presente na paciente, é uma manifestação comum devido à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal secundária à desnutrição. A fisiopatologia das complicações clínicas da anorexia nervosa envolve a adaptação do corpo à privação calórica. A bradicardia e hipotensão são mecanismos compensatórios para reduzir o gasto energético, enquanto as alterações eletrocardiográficas (segmento ST e onda T) podem indicar distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia) ou miocardiopatia por desnutrição. A síncope é um sinal de instabilidade hemodinâmica e risco de arritmias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, mas a avaliação da gravidade clínica é essencial para determinar a conduta. Deve-se suspeitar de gravidade em pacientes com IMC muito baixo, sinais vitais alterados e sintomas como desmaios. O tratamento da anorexia nervosa grave exige uma abordagem multidisciplinar. A conduta inicial, como demonstrado na questão, é a internação em enfermaria de clínica médica para estabilização das complicações físicas e início da realimentação de forma controlada, para prevenir a síndrome de realimentação. Após a estabilização clínica, o tratamento psiquiátrico e psicológico (terapia cognitivo-comportamental, terapia familiar) é fundamental para abordar os aspectos psicopatológicos do transtorno. O prognóstico é variável e depende da gravidade da doença, da duração e da adesão ao tratamento, sendo a recuperação completa um processo longo e desafiador. Pontos de atenção incluem a vigilância para recaídas e a necessidade de acompanhamento longitudinal.
Os principais critérios para internação incluem IMC < 15 kg/m² (ou < 70% do peso ideal), instabilidade hemodinâmica (bradicardia < 40-50 bpm, hipotensão < 90/60 mmHg), alterações eletrolíticas graves, arritmias cardíacas, síncope, desidratação grave, recusa alimentar persistente ou falha no tratamento ambulatorial.
A internação em clínica médica é crucial para monitorar e tratar as complicações físicas agudas da desnutrição grave, como as alterações cardiovasculares (bradicardia, hipotensão, arritmias, alterações de ST-T no ECG) e o risco de síndrome de realimentação. A estabilização clínica precede o tratamento psiquiátrico intensivo.
A síndrome de realimentação é uma complicação potencialmente fatal que ocorre ao iniciar a alimentação em pacientes gravemente desnutridos, levando a distúrbios eletrolíticos (hipofosfatemia, hipocalemia, hipomagnesemia), retenção hídrica e insuficiência cardíaca. A prevenção envolve realimentação lenta e gradual, monitoramento rigoroso de eletrólitos e reposição adequada de fosfato, potássio e magnésio.
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