INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Durante uma visita domiciliar, o médico de família nota que a filha de 16 anos do casal visitado aparentava ser muito menor do que o vestido que usava. O casal concorda com a observação e afirma que a filha come pouco. A adolescente relata que não apresenta qualquer problema de saúde e que apenas procura se cuidar fazendo musculação e corrida diariamente, além de seguir as dietas que estuda nas redes sociais. A mãe refere que, seguindo a dieta atual, a filha havia perdido 7 kg em 1 mês. A adolescente nega vomitar após as refeições ou quaisquer problemas, exceto o fato de não menstruar há 4 meses, negando também ser sexualmente ativa. Ao exame físico, verificam-se altura de 1,7 metros e peso de 45 kg. Observa-se ainda que o exame físico da adolescente não apresenta alterações, exceto aspecto emagrecido e palidez cutaneomucosa. Para esse caso clínico, o diagnóstico e o tratamento a serem considerados inicialmente são, respectivamente,
Adolescente com perda peso + IMC baixo + amenorreia + distorção imagem corporal → Anorexia Nervosa, tratar com psicoterapia.
A combinação de perda de peso significativa, baixo IMC (1,7m e 45kg = IMC 15,5), amenorreia e preocupação excessiva com a forma física, especialmente em adolescentes, é altamente sugestiva de anorexia nervosa. O tratamento inicial foca na recuperação nutricional e psicoterapia.
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave, com alta morbidade e mortalidade, que afeta predominantemente adolescentes e jovens adultos, especialmente do sexo feminino. É caracterizada por uma restrição alimentar severa, medo intenso de ganhar peso e uma percepção distorcida da imagem corporal, resultando em um peso corporal significativamente baixo (IMC < 17,5 kg/m² ou percentil < 5 para idade). A fisiopatologia envolve uma interação complexa de fatores genéticos, psicológicos e socioculturais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem baixo peso, medo de engordar e distorção da imagem corporal. A amenorreia, presente no caso, é uma manifestação comum devido à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal secundária à desnutrição e baixo peso. O tratamento da anorexia nervosa é multidisciplinar e deve ser iniciado precocemente. A prioridade é a recuperação do peso e do estado nutricional, muitas vezes exigindo internação. A psicoterapia, especialmente a terapia familiar para adolescentes, é fundamental e a primeira linha de tratamento para o transtorno em si. Medicamentos como antidepressivos podem ser usados para comorbidades, mas não são a primeira linha para o transtorno alimentar primário.
Os critérios incluem restrição energética persistente levando a peso corporal significativamente baixo, medo intenso de ganhar peso ou engordar, e perturbação na forma como o peso ou a forma corporal são vivenciados, com distorção da imagem corporal.
A amenorreia é uma consequência da desnutrição e do baixo peso corporal, que levam à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em supressão da ovulação e interrupção do ciclo menstrual.
O tratamento inicial da anorexia nervosa envolve a recuperação do peso e do estado nutricional, juntamente com psicoterapia, como a terapia familiar baseada em família (Maudsley Approach) para adolescentes, sendo a psicoterapia a primeira linha para o transtorno em si.
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