Anorexia Nervosa: Manejo Clínico e Estabilização Inicial

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 22 anos, estudante universitária, apresenta restrição alimentar severa, preocupação excessiva com peso e forma corporal e perda ponderal de 15% nos últimos 3 meses. Relata episódios de vômitos autoinduzidos após ingestão de pequenas quantidades de alimento. Exame físico apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) 16 kg/m², hipotensão ortostática, bradicardia e lanugo discreto. Laboratório indica hipocalemia: 2,8 mEq/L, hipomagnesemia: 1,3 mg/dL e TGO/TGP discretamente elevadas. Qual é a conduta inicial mais apropriada para a paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar apenas terapia nutricional agressiva para ganho rápido de peso, sem avaliação multidisciplinar, visando à recuperação rápida do IMC.
  2. B) Prescrever antidepressivo ISRS em monoterapia como tratamento principal, pois transtornos alimentares são primariamente psiquiátricos.
  3. C) Avaliar risco clínico imediato, corrigir distúrbios eletrolíticos, garantir suporte nutricional gradual e encaminhar para equipe multidisciplinar especializada (nutricionista, psiquiatra, psicólogo).
  4. D) Indicar internação apenas se a paciente recusar voluntariamente qualquer tipo de tratamento nutricional; caso contrário, o tratamento ambulatorial é suficiente.
  5. E) Iniciar reposição eletrolítica de rotina, mas aguardar IMC <15 kg/m² para considerar qualquer intervenção psiquiátrica ou nutricional.

Pérola Clínica

IMC baixo + Hipocalemia + Bradicardia → Estabilização clínica + Suporte nutricional gradual.

Resumo-Chave

A abordagem inicial da anorexia nervosa com instabilidade clínica foca na correção hidroeletrolítica e suporte nutricional cauteloso para evitar a síndrome de realimentação, sempre com equipe multidisciplinar.

Contexto Educacional

A Anorexia Nervosa é um transtorno psiquiátrico com alta morbimortalidade devido às complicações médicas da inanição. A fisiopatologia envolve adaptações metabólicas crônicas ao jejum, que são abruptamente desafiadas durante a realimentação. A hipocalemia e a hipomagnesemia observadas no caso são marcadores de purgação (vômitos) ou desnutrição grave e aumentam o risco de arritmias fatais (prolongamento do intervalo QT). O tratamento exige uma abordagem integrada entre clínica médica, psiquiatria, psicologia e nutrição para abordar tanto as distorções cognitivas quanto as necessidades biológicas.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de gravidade que indicam internação na anorexia?

Indicações de internação incluem instabilidade hemodinâmica (bradicardia < 40 bpm, hipotensão ortostática), desequilíbrios eletrolíticos graves (hipocalemia refratária), IMC extremamente baixo (geralmente < 15 kg/m² ou < 75% do peso ideal), recusa alimentar completa ou risco de suicídio.

O que é a síndrome de realimentação e como preveni-la?

É uma complicação potencialmente fatal que ocorre quando pacientes desnutridos recebem carga calórica excessiva. Ocorre liberação de insulina, levando ao influxo celular de eletrólitos, resultando em hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipocalemia graves. Previne-se com reintrodução calórica lenta (5-10 kcal/kg/dia) e monitorização rigorosa de eletrólitos.

Qual o papel dos psicofármacos no tratamento inicial?

No estágio agudo de desnutrição, os ISRS (como a fluoxetina) têm eficácia limitada, pois a baixa disponibilidade de triptofano impede a síntese de serotonina. O foco inicial deve ser a recuperação nutricional; os antidepressivos são mais úteis na fase de manutenção para prevenir recaídas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo