SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Mulher, 22 anos, estudante universitária, apresenta restrição alimentar severa, preocupação excessiva com peso e forma corporal e perda ponderal de 15% nos últimos 3 meses. Relata episódios de vômitos autoinduzidos após ingestão de pequenas quantidades de alimento. Exame físico apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) 16 kg/m², hipotensão ortostática, bradicardia e lanugo discreto. Laboratório indica hipocalemia: 2,8 mEq/L, hipomagnesemia: 1,3 mg/dL e TGO/TGP discretamente elevadas. Qual é a conduta inicial mais apropriada para a paciente?
IMC baixo + Hipocalemia + Bradicardia → Estabilização clínica + Suporte nutricional gradual.
A abordagem inicial da anorexia nervosa com instabilidade clínica foca na correção hidroeletrolítica e suporte nutricional cauteloso para evitar a síndrome de realimentação, sempre com equipe multidisciplinar.
A Anorexia Nervosa é um transtorno psiquiátrico com alta morbimortalidade devido às complicações médicas da inanição. A fisiopatologia envolve adaptações metabólicas crônicas ao jejum, que são abruptamente desafiadas durante a realimentação. A hipocalemia e a hipomagnesemia observadas no caso são marcadores de purgação (vômitos) ou desnutrição grave e aumentam o risco de arritmias fatais (prolongamento do intervalo QT). O tratamento exige uma abordagem integrada entre clínica médica, psiquiatria, psicologia e nutrição para abordar tanto as distorções cognitivas quanto as necessidades biológicas.
Indicações de internação incluem instabilidade hemodinâmica (bradicardia < 40 bpm, hipotensão ortostática), desequilíbrios eletrolíticos graves (hipocalemia refratária), IMC extremamente baixo (geralmente < 15 kg/m² ou < 75% do peso ideal), recusa alimentar completa ou risco de suicídio.
É uma complicação potencialmente fatal que ocorre quando pacientes desnutridos recebem carga calórica excessiva. Ocorre liberação de insulina, levando ao influxo celular de eletrólitos, resultando em hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipocalemia graves. Previne-se com reintrodução calórica lenta (5-10 kcal/kg/dia) e monitorização rigorosa de eletrólitos.
No estágio agudo de desnutrição, os ISRS (como a fluoxetina) têm eficácia limitada, pois a baixa disponibilidade de triptofano impede a síntese de serotonina. O foco inicial deve ser a recuperação nutricional; os antidepressivos são mais úteis na fase de manutenção para prevenir recaídas.
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