Anomalia de Peters: Características e Diagnóstico Diferencial

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Com relação a opacidade congênita da córnea associada a anomalia de Peters, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A opacidade da córnea geralmente está localizada no centro, com a periferia relativamente clara.
  2. B) Anormalidades sistêmicas associadas são mais comuns na anomalia do tipo I do que na do tipo II.
  3. C) Na maioria dos casos classificados como do tipo ll, o comprometimento é unilateral.
  4. D) A cómea costuma apresentar, já ao nascimento, vascularização em pelo menos três quadrantes.

Pérola Clínica

Anomalia de Peters → opacidade central da córnea com periferia geralmente poupada.

Resumo-Chave

Caracteriza-se por defeito no endotélio e membrana de Descemet, resultando em edema e opacidade estromal central, frequentemente associada a aderências iridocorneanas.

Contexto Educacional

A Anomalia de Peters faz parte do espectro das disgenesias do segmento anterior, resultando de uma falha na migração das células da crista neural durante a embriogênese. Essa falha impede a formação adequada do endotélio corneano e da membrana de Descemet na região central, levando ao edema estromal crônico e cicatrização. Clinicamente, o diagnóstico diferencial deve incluir outras causas de córnea opaca ao nascimento, como o glaucoma congênito primário (onde há aumento do diâmetro corneano e rupturas na Descemet - estrias de Haab), trauma de parto (fórceps), esclerocórnea e distrofia endotelial hereditária congênita (CHED). A ultrassonografia biomicroscópica (UBM) é uma ferramenta valiosa para avaliar a relação entre a íris, o cristalino e a córnea posterior.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Anomalia de Peters Tipo I?

A Anomalia de Peters Tipo I é caracterizada por uma opacidade corneana central (leucoma) associada a aderências iridocorneanas que partem do colarete da íris até as bordas da opacidade. O cristalino geralmente está em posição normal e é transparente. É frequentemente unilateral e tem menor associação com malformações sistêmicas graves em comparação ao tipo II, embora o glaucoma esteja presente em cerca de 50% dos casos devido à disgenesia do ângulo.

Qual a diferença entre a Anomalia de Peters Tipo I e Tipo II?

A principal diferença reside no envolvimento do cristalino. No Tipo I, o cristalino é claro e não há contato lentículo-corneano. No Tipo II, a opacidade corneana é acompanhada de catarata ou aposição do cristalino à face posterior da córnea. O Tipo II é mais frequentemente bilateral e está fortemente associado a anomalias sistêmicas (Síndrome de Peters Plus), que incluem baixa estatura, fenda palatina, defeitos cardíacos e atraso no desenvolvimento.

Como é feito o manejo da opacidade corneana na Anomalia de Peters?

O manejo é desafiador e depende da gravidade da opacidade e do potencial visual. Em casos de opacidade central densa, a ceratoplastia penetrante (transplante de córnea) ou a ceratoprótese podem ser indicadas precocemente para evitar a ambliopia profunda. Além disso, o controle rigoroso da pressão intraocular é vital, pois o glaucoma é uma complicação frequente e de difícil controle clínico, muitas vezes exigindo cirurgias filtrantes ou dispositivos de drenagem.

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