USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Recém-nascido de 2 dias de vida, sexo aparentemente feminino (anomalia anorretal complexa), encaminhado de outro serviço. Na admissão: bom estado geral, hidratado (com soro de manutenção via endovenosa), corado, eupneico, afebril. Ao exame físico: genitália de fenótipo feminino, porém com orifício perineal único, anterior, próximo ao clitóris, com saída de urina em gotejamento. Ausência de orifício anal. Abdome globoso, indolor e sem resistência à palpação. Presença de massa palpável em hipogástrio e flanco esquerdo. Considerando o provável diagnóstico, como podemos interpretar o achado de massa palpável?
Anomalia anorretal complexa + massa abdominal em RN → investigar hidronefrose/uropatia obstrutiva.
Em recém-nascidos com anomalias anorretais complexas, especialmente com fístulas urogenitais ou cloaca persistente, há alta incidência de malformações do trato urinário, como hidronefrose e bexiga neurogênica. A massa palpável pode ser uma bexiga distendida ou um rim hidronefrótico.
As anomalias anorretais complexas são malformações congênitas que afetam o desenvolvimento do ânus e reto, frequentemente associadas a outras anomalias em múltiplos sistemas, como o geniturinário, esquelético e cardiovascular. A incidência de malformações urogenitais pode chegar a 50-60% nesses pacientes, tornando a avaliação do trato urinário fundamental no manejo inicial. A presença de um orifício perineal único, como descrito, sugere uma cloaca persistente, uma forma complexa de anomalia anorretal que quase sempre cursa com malformações urinárias significativas. A massa palpável em hipogástrio e flanco esquerdo em um recém-nascido com anomalia anorretal complexa e orifício perineal único deve levantar a forte suspeita de hidronefrose, que é a dilatação do sistema coletor renal devido a uma obstrução ao fluxo urinário. Outras possibilidades incluem bexigoma (bexiga distendida) ou até mesmo um fecaloma em casos de obstrução intestinal, mas a hidronefrose é uma complicação urológica grave e comum nesse contexto. A avaliação diagnóstica inicial inclui ultrassonografia abdominal e renal para identificar a causa da massa e o grau de comprometimento renal. O manejo dessas crianças é multidisciplinar, envolvendo cirurgiões pediátricos, urologistas e nefrologistas. O tratamento da hidronefrose pode variar desde o acompanhamento em casos leves até a intervenção cirúrgica para correção da obstrução. A identificação e tratamento precoces são essenciais para preservar a função renal e melhorar o prognóstico a longo prazo, sendo um ponto crítico para a prática do residente.
As malformações urinárias mais comuns incluem hidronefrose, refluxo vesicoureteral, bexiga neurogênica e agenesia renal, sendo a hidronefrose uma das mais frequentes.
Pode se manifestar como massa abdominal palpável, uropatia obstrutiva, infecções do trato urinário recorrentes ou ser um achado incidental em exames de imagem.
O diagnóstico precoce é crucial para prevenir danos renais irreversíveis, como insuficiência renal crônica, através de intervenções cirúrgicas ou manejo clínico adequado.
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