CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Paciente de 30 anos de idade, com visão borrada do OE. Refração estática e respectiva correção revelaram: OD plano e AV igual a 1,0; OE - 4,00DE e AV igual a 1,0. A miopia é axial. Paciente sem estrabismo. Prescrição OD: plano; OE: -4,00DE. Óculos conferidos, grau correto e centro óptico da lente do OE alinhado com o centro da pupila. Centro óptico da lente do OD não foi conferido. Paciente retorna com desconforto para leitura e diplopia vertical intermitente em infraversão. Assinale a alternativa correta:
Lente negativa em infraversão → Efeito prismático base inferior (Lei de Prentice: P = c x F).
A anisometropia induz efeitos prismáticos desiguais quando o paciente olha fora do centro óptico (anisoforia). Lentes negativas em infraversão geram prismas de base inferior, causando diplopia vertical.
A anisometropia é definida como uma diferença significativa de erro refracional entre os dois olhos. Quando corrigida com óculos, o principal desafio clínico é a anisoforia induzida dinamicamente. Na infraversão necessária para a leitura, o paciente experimenta um desequilíbrio prismático vertical. No caso de um olho míope (-4.00) e outro plano, o olho míope sofre um efeito de prisma base inferior, deslocando a imagem para cima em relação ao outro olho. Para manejar esses pacientes, o oftalmologista pode prescrever lentes de contato, utilizar lentes com 'slab-off' (que compensam o prisma vertical em um dos olhos) ou orientar o paciente a baixar a cabeça em vez de apenas os olhos durante a leitura. A compreensão da óptica geométrica é fundamental para diferenciar queixas refracionais de patologias oculomotoras.
A Lei de Prentice estabelece que o poder prismático (P) induzido em um ponto da lente é igual ao produto da distância desse ponto ao centro óptico em centímetros (c) pelo poder dióptrico da lente (F), ou seja, P = c x F. Quando um paciente anisometrope (graus diferentes entre os olhos) olha para baixo para ler, seus olhos se afastam do centro óptico das lentes. Como as dioptrias são diferentes, o efeito prismático gerado em cada olho será diferente, causando um desvio vertical das imagens (anisoforia) que o sistema fusional pode não conseguir compensar, resultando em diplopia.
Uma lente negativa (para miopia) pode ser visualizada como dois prismas unidos pelo ápice. O centro óptico é o ponto mais fino. Quando o olho se move para a parte inferior da lente (infraversão), ele está olhando através de uma porção da lente que atua como um prisma com a base voltada para baixo. Quanto maior o grau negativo, maior a força desse prisma de base inferior. Se o outro olho tiver plano (0.00), não haverá prisma induzido, criando um desequilíbrio vertical.
As lentes de contato eliminam a anisoforia induzida porque elas se movem solidariamente com o globo ocular. Dessa forma, o eixo visual do paciente permanece quase sempre alinhado com o centro óptico da lente, independentemente da direção do olhar (versões). Além disso, as lentes de contato reduzem significativamente a aniseiconia (diferença no tamanho das imagens formadas na retina), que é outro problema comum em anisometropias elevadas corrigidas com óculos.
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