CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
O ângulo Kappa positivo:
Ângulo Kappa + → reflexo nasal à pupila (simula exotropia); Kappa - → reflexo temporal (simula esotropia).
O ângulo Kappa é o desvio entre o eixo visual e o eixo pupilar. Se positivo, o centro pupilar fica temporal ao eixo visual, alterando medidas ópticas.
O entendimento dos eixos oculares é crucial para a oftalmologia moderna. O ângulo Kappa positivo é a norma na maioria dos olhos emetropes e hipermétropes. Quando excessivo, ele cria a ilusão de um desvio ocular para fora (pseudoexotropia) porque o reflexo de luz de Hirschberg aparece deslocado para o lado nasal da pupila. Na prática clínica, a diferenciação entre um estrabismo verdadeiro e um pseudoestrabismo causado pelo ângulo Kappa é feita através do teste de cobertura (cover test). Se não houver movimento de reposição ao ocluir um dos olhos, o desvio é apenas aparente.
O ângulo Kappa é formado pela intersecção do eixo visual (linha que une o objeto de fixação à fóvea) e o eixo pupilar (linha perpendicular à córnea que passa pelo centro da pupila). Ele é considerado positivo quando o eixo visual está localizado nasalmente ao eixo pupilar, o que é o achado fisiológico mais comum.
Quando se utiliza o centro da pupila como referência em vez do reflexo corneano (eixo visual) em pacientes com ângulo Kappa positivo significativo, a distância medida entre os centros ópticos será maior do que a distância real necessária para o alinhamento visual perfeito, podendo causar indução de prismas indesejados.
Em cirurgias com implante de lentes intraoculares (LIO) premium, como as multifocais, um ângulo Kappa elevado pode causar descentralização da lente em relação ao eixo visual, resultando em queixas de halos, glare e redução da sensibilidade ao contraste, mesmo que a lente esteja centralizada na pupila.
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