CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
O desenho abaixo ilustra o olho direito (olho fixador, acuidade visual 1,0) de um paciente em posição primária do olhar. É correto afirmar que:
Reflexo temporal ao centro pupilar → Ângulo Kappa negativo (simula endotropia).
O ângulo kappa é o ângulo entre o eixo visual e o eixo pupilar. Um ângulo negativo (reflexo temporal) pode causar um falso aspecto de esotropia (endotropia).
A avaliação do alinhamento ocular começa com a observação dos reflexos corneanos. O ângulo kappa representa a falha de coincidência entre o eixo pupilar (linha perpendicular à córnea que passa pelo centro da pupila) e o eixo visual (linha que une o objeto de fixação à fóvea). Na maioria da população, o ângulo é levemente positivo. Em casos de alta miopia ou ectopias maculares (como na retinopatia da prematuridade ou trações vítreo-retinianas), o ângulo kappa pode se tornar significativamente negativo. O reconhecimento dessa condição evita tratamentos cirúrgicos desnecessários para estrabismos inexistentes e auxilia na correta interpretação de exames de imagem e biometria ocular.
O ângulo kappa é considerado negativo quando o reflexo luminoso corneano (reflexo de Hirschberg) está localizado temporalmente ao centro da pupila. Isso ocorre porque o eixo visual atinge a retina em um ponto temporal à fóvea. Clinicamente, isso cria a ilusão de que o olho está desviado para dentro (pseudoendotropia).
No ângulo kappa positivo (mais comum), o reflexo luminoso está nasal ao centro pupilar, simulando uma exotropia (pseudoexotropia). No ângulo kappa negativo, o reflexo está temporal ao centro, simulando uma endotropia (pseudoendotropia). É fundamental realizar o cover test: se não houver movimento de refixação, trata-se apenas de um ângulo kappa fisiológico, não de estrabismo real.
O ângulo kappa é crucial no planejamento de lentes intraoculares (LIOs) multifocais. Um ângulo kappa elevado (especialmente o positivo) pode fazer com que o eixo visual passe fora do centro óptico da LIO, resultando em queixas de halos, glare e insatisfação visual no pós-operatório. Muitos cirurgiões contraindicam lentes difrativas em pacientes com ângulos kappa muito grandes.
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