Estratificação de Dor Torácica: O Papel da Angio-TC

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 58 anos, hipertenso, em uso de Atenolol, Enalapril e Hidroclorotiazida, é admitido no pronto atendimento com quadro de dor torácica. O eletrocardiograma realizado não mostra alterações significativas. O paciente apresenta um Heart Score de 4 pontos e um TIMI Risk de 1 ponto. Ele relata ter consumido aproximadamente 1 litro de café durante a tarde. Duas amostras de troponina de alta sensibilidade são coletadas e ambas estão dentro da normalidade (3 ng/L e 4 ng/L, com valor de referência <14 ng/L). O paciente se recusa a permanecer internado e solicita um exame imediato para concluir a estratificação de risco. Qual exame poderia ser realizado agora para concluir a estratificação de risco?

Alternativas

  1. A) Ressonância cardíaca com estresse farmacológico com dipiridamol.
  2. B) Angiotomografia de coronárias.
  3. C) Cintilografia do miocárdio com estresse farmacológico com dipiridamol.
  4. D) Ecocardiograma com estresse farmacológico com dobutamina.
  5. E) Teste ergométrico.

Pérola Clínica

Baixo risco + Troponina negativa + Cafeína (contraindica dipiridamol) → Angio-TC de coronárias.

Resumo-Chave

A Angio-TC de coronárias é a escolha ideal para 'rule-out' em pacientes de baixo a moderado risco com exames inconclusivos, especialmente quando o estresse farmacológico está contraindicado.

Contexto Educacional

A estratificação de dor torácica no pronto-atendimento visa identificar pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA) enquanto evita internações desnecessárias. Pacientes com 'dor torácica de baixa probabilidade' são aqueles com ECG normal e biomarcadores negativos. A Angiotomografia de Coronárias (Angio-TC) revolucionou esse fluxo por ser um método anatômico rápido que visualiza diretamente a luz e a parede das artérias coronárias. É fundamental lembrar que testes funcionais (estresse) dependem da hemodinâmica ou de fármacos. O dipiridamol inibe a recaptação de adenosina, provocando o 'roubo de fluxo'. A ingestão de cafeína bloqueia esse mecanismo. Como o paciente ingeriu 1 litro de café, os testes com dipiridamol ou adenosina estão invalidados. A Angio-TC surge como a alternativa mais eficiente e disponível para concluir a investigação e permitir a alta segura.

Perguntas Frequentes

Por que a cafeína contraindica o uso de dipiridamol?

O dipiridamol e a adenosina atuam nos receptores de adenosina para causar vasodilatação coronariana e mimetizar o estresse. A cafeína é um antagonista competitivo desses receptores. Se o paciente consumiu café, chá ou chocolate recentemente, o efeito vasodilatador do fármaco será bloqueado ou atenuado, tornando o teste de estresse (seja na cintilografia ou ressonância) não diagnóstico ou propenso a erros. Nesses casos, deve-se aguardar 24 horas ou optar por um método que não dependa dessa via, como a Angio-TC ou ecocardiograma com dobutamina.

Qual a utilidade da Angiotomografia de Coronárias (Angio-TC)?

A Angio-TC de coronárias possui um altíssimo valor preditivo negativo (próximo a 100%). Isso significa que, se o exame for normal, a probabilidade de o paciente ter uma síndrome coronariana aguda ou evento cardiovascular maior a curto prazo é extremamente baixa. É o exame de escolha para pacientes de baixo a moderado risco (Heart Score < 4 ou TIMI 0-2) que chegam ao pronto-socorro com dor torácica atípica e troponinas seriadas normais, permitindo uma alta hospitalar segura.

O que avaliam os escores HEART e TIMI?

O HEART Score avalia História, ECG, Idade (Age), Fatores de Risco e Troponina; uma pontuação de 0-3 indica baixo risco, 4-6 risco moderado e >7 alto risco. O TIMI Risk foca em variáveis clínicas e uso de AAS para predizer mortalidade e novos eventos isquêmicos. No caso apresentado, o paciente tem baixo risco pelos escores e troponinas negativas, mas a persistência da dúvida clínica ou o desejo de estratificação imediata justifica o uso de imagem anatômica (Angio-TC) para descartar obstruções coronárias.

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