SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Qual é o efeito hemodinâmico esperado em uma angioplastia de carótida e qual sua medida de profilaxia, respectivamente?
Angioplastia carotídea → Estimulação de barorreceptores → Bradicardia/Hipotensão → Atropina EV profilática.
A manipulação mecânica do seio carotídeo durante a angioplastia ou o posicionamento do stent estimula os barorreceptores, desencadeando uma resposta vagal que resulta em bradicardia e hipotensão, frequentemente prevenida com atropina.
A angioplastia de carótida com stent (CAS) é uma alternativa estabelecida à endarterectomia, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico. A fisiopatologia da instabilidade hemodinâmica periprocedimento está centrada no reflexo do seio carotídeo. O conhecimento dessa resposta é crucial para o intervencionista, pois a bradicardia e a hipotensão podem comprometer a perfusão cerebral, especialmente em pacientes com circulação colateral intracraniana precária. A profilaxia com anticolinérgicos como a atropina visa mitigar a resposta vagal, garantindo estabilidade durante as fases críticas do procedimento, como a pré-dilatação e o posicionamento da prótese.
A bradicardia ocorre devido à estimulação mecânica dos barorreceptores localizados no seio carotídeo. Durante a insuflação do balão ou a expansão do stent, esses receptores interpretam a pressão mecânica como um aumento súbito da pressão arterial sistêmica. Isso ativa o arco reflexo barorreceptor, aumentando o tônus parassimpático via nervo vago e diminuindo o tônus simpático. O resultado clínico é uma redução abrupta da frequência cardíaca (bradicardia) e da resistência vascular periférica (hipotensão). Essa resposta é particularmente comum em lesões localizadas exatamente na bifurcação carotídea, onde a densidade de barorreceptores é maior.
Embora a prática varie entre serviços de hemodinâmica, a administração profilática de atropina costuma ser feita em doses de 0,5 mg a 1,0 mg por via intravenosa imediatamente antes da insuflação do balão ou da liberação do stent. O objetivo é bloquear os receptores muscarínicos no nó sinoatrial, prevenindo a bradicardia grave ou assistolia reflexa. Além da atropina, a manutenção de uma hidratação volêmica adequada e, em casos selecionados, o uso de marcapasso temporário ou vasopressores podem ser necessários para manejar a hipotensão associada que pode persistir no período pós-operatório imediato.
Pacientes com estenoses calcificadas, lesões localizadas no bulbo carotídeo e aqueles submetidos a angioplastia com stents de células fechadas (que exercem maior força radial crônica) apresentam maior risco. Além disso, pacientes com doença coronariana grave coexistente ou disfunção autonômica prévia podem tolerar mal as oscilações de frequência cardíaca e pressão arterial. A monitorização contínua invasiva da pressão arterial e do eletrocardiograma é mandatória durante todo o procedimento para permitir a intervenção farmacológica imediata assim que o reflexo barorreceptor for detectado.
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