UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
Sobre o AVC hemorrágico (AVCH), assinale a alternativa CORRETA.
AVCH em idoso normotenso com localização lobar (periférica) → principal suspeita é angiopatia amiloide cerebral.
A angiopatia amiloide cerebral é uma causa importante de AVC hemorrágico, caracteristicamente lobar e recorrente, em pacientes idosos sem hipertensão arterial. Essa topografia a diferencia da hemorragia hipertensiva, que classicamente afeta estruturas profundas como núcleos da base, tálamo e ponte.
O Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) ou hemorragia intracerebral (HIC) é uma emergência neurológica com alta mortalidade. A etiologia mais comum é a hipertensão arterial crônica, que leva à lipo-hialinose de pequenas artérias perfurantes, resultando em sangramentos em localizações profundas, como putâmen, tálamo, ponte e cerebelo. No entanto, em pacientes idosos, especialmente aqueles sem histórico significativo de hipertensão, uma causa importante de HIC é a angiopatia amiloide cerebral (AAC). A AAC é uma condição caracterizada pelo depósito de proteína beta-amiloide na parede de pequenas e médias artérias corticais e leptomeníngeas. Esse depósito enfraquece a parede do vaso, tornando-o propenso a rupturas e sangramentos. Por afetar os vasos corticais, a hemorragia na AAC é tipicamente de localização lobar (periférica). O diagnóstico diferencial entre HIC hipertensiva e por AAC é crucial e baseia-se principalmente na localização do sangramento e na idade do paciente. Enquanto a alternativa A erra ao dizer que a topografia lobar é a mais comum na etiologia hipertensiva, a alternativa C está correta ao afirmar que a angiopatia amiloide é uma causa comum de hemorragia lobar em idosos não hipertensos. O manejo agudo é semelhante, mas o prognóstico e o risco de recorrência na AAC são distintos, exigindo um aconselhamento e acompanhamento específicos.
Os achados típicos incluem hemorragias lobares, corticais ou cortico-subcorticais de diferentes idades, microssangramentos (melhor vistos na ressonância magnética em sequências de suscetibilidade magnética), siderose superficial e leucoencefalopatia na substância branca posterior.
A conduta é semelhante a de outros AVCHs e foca no controle rigoroso da pressão arterial (meta de PAS < 140 mmHg nas primeiras horas), reversão de coagulopatias, manejo da pressão intracraniana e prevenção de complicações, como convulsões (não profiláticas) e trombose venosa profunda.
A principal diferença é a localização. O AVCH hipertensivo tipicamente ocorre em regiões profundas do cérebro (núcleos da base, tálamo, ponte, cerebelo). Já o AVCH por angiopatia amiloide é caracteristicamente lobar, afetando os córtices cerebrais, especialmente os lobos occipital e parietal.
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