Angiografia na Hemorragia Digestiva Baixa: Indicações

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 68 anos apresentou sangramento via retal recente, cessando espontaneamente. Em seguida, procurou o atendimento médico ambulatorial para iniciar a investigação da causa desse episódio. Com base no caso descrito e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. A angiografia seletiva pode detectar hemorragia na faixa de 0,5 a 1,0 mL/min e geralmente é usada para o diagnóstico de hemorragia contínua, apresentando capacidade terapêutica.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Angiografia seletiva: detecta sangramento > 0,5 mL/min + permite intervenção terapêutica.

Resumo-Chave

A angiografia é um método diagnóstico e terapêutico para hemorragia digestiva baixa ativa, exigindo taxas de sangramento superiores a 0,5 mL/min para visualização do extravasamento.

Contexto Educacional

A angiografia seletiva desempenha um papel crucial no algoritmo de manejo da Hemorragia Digestiva Baixa (HDB) aguda. Sua eficácia diagnóstica depende diretamente da atividade do sangramento no momento da injeção do contraste; sangramentos venosos ou capilares lentos raramente são detectados. A técnica envolve o cateterismo da artéria mesentérica superior, inferior ou tronco celíaco. Além do diagnóstico, a capacidade de intervenção imediata via embolização transformou o prognóstico de pacientes idosos com múltiplas comorbidades, que antes eram submetidos a colectomias de urgência com alta morbimortalidade. É importante ressaltar que, embora a angiotomografia (angio-TC) tenha se tornado um excelente teste de triagem inicial por ser rápida e não invasiva, a angiografia convencional permanece como o padrão-ouro para intervenção endovascular direta.

Perguntas Frequentes

Qual a sensibilidade da angiografia na hemorragia digestiva?

A angiografia seletiva tem a capacidade de detectar sangramentos arteriais ativos com taxas entre 0,5 e 1,0 mL/min. Diferente da cintilografia com hemácias marcadas, que pode detectar taxas menores (0,1 a 0,5 mL/min), a angiografia exige um sangramento mais vigoroso e contínuo no momento do exame para que o contraste extravase para o lúmen intestinal. Sua principal vantagem é a localização anatômica precisa do vaso sangrante, o que é fundamental para o planejamento cirúrgico ou intervenção imediata.

Quais as opções terapêuticas via angiografia?

Uma das grandes vantagens da angiografia é ser um procedimento 'teranóstico' (diagnóstico e terapêutico). Uma vez identificado o ponto de sangramento, o radiologista intervencionista pode realizar a infusão de vasopressina intra-arterial (causando vasoconstrição local) ou, mais comumente hoje, a embolização superseletiva com molas (coils), colas ou microesferas. A embolização superseletiva reduziu drasticamente o risco de isquemia intestinal segmentar, tornando-se uma alternativa eficaz à cirurgia em pacientes de alto risco.

Quando indicar angiografia em vez de colonoscopia?

A colonoscopia é geralmente o exame de primeira linha na Hemorragia Digestiva Baixa (HDB) após estabilização. No entanto, em casos de sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica onde a visualização colonoscópica é prejudicada pelo excesso de sangue e coágulos, ou quando a colonoscopia não identifica a fonte, a angiografia torna-se a escolha. Ela é particularmente útil em sangramentos de origem diverticular ou angiodisplasias que estão sangrando ativamente no momento da avaliação.

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