CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Na avaliação e tratamento do paciente com retinopatia diabética, a angiografia fluoresceínica é útil para:
Angiografia fluoresceínica → essencial para detectar áreas de não-perfusão e maculopatia isquêmica.
Enquanto o exame clínico vê hemorragias, a angiografia revela o que está 'invisível': a falta de circulação (isquemia) que ameaça a visão central.
A angiografia fluoresceínica (AF) baseia-se na propriedade da fluoresceína sódica de emitir luz amarela-esverdeada quando estimulada por luz azul. Na retinopatia diabética, a AF permite mapear a extensão da isquemia periférica, o que pode guiar a panfotocoagulação a laser de forma mais precisa. Atualmente, a Angio-OCT (Optical Coherence Tomography Angiography) tem substituído a AF em alguns contextos por ser um método não invasivo e sem contraste, mas a AF convencional ainda é o padrão para avaliar a periferia retiniana e o tempo de circulação braço-retina, fornecendo dados dinâmicos sobre a integridade vascular.
A principal indicação não é o diagnóstico da retinopatia em si (que é clínico), mas a avaliação de complicações específicas e o planejamento terapêutico. Ela é fundamental para identificar áreas de não-perfusão capilar (isquemia) e, crucialmente, para diagnosticar a maculopatia isquêmica. Na maculopatia isquêmica, há um alargamento da zona avascular foveal, o que explica uma baixa visão que muitas vezes não condiz com o aspecto clínico da retina, indicando um prognóstico visual reservado.
A angiografia utiliza o contraste para mostrar dois fenômenos distintos: o hiperfluxo/vazamento e a ausência de fluxo. No edema macular, observa-se o extravasamento (leakage) do contraste, que brilha intensamente nas fases tardias do exame devido à quebra da barreira hematorretiniana. Na isquemia macular, observa-se o oposto: áreas de hipofluorescência por 'dropout' capilar, onde o contraste não chega. Essa distinção é vital, pois o edema pode responder a laser ou anti-VEGF, enquanto a isquemia tem poucas opções de tratamento.
Não. Hemorragias retinianas são opacas e, na verdade, causam um efeito de 'bloqueio' da fluorescência de fundo (hipofluorescência por bloqueio) na angiografia. Elas são muito melhor avaliadas e quantificadas através da fundoscopia direta ou retinografia colorida. A angiografia é reservada para detalhes microvasculares que o olho humano não capta sem contraste, como microaneurismas puntiformes, IRMAs e zonas de exclusão capilar periférica.
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