CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Uma membrana neovascular totalmente cicatrizada, apresenta hiperfluorescência nas fases tardias da angiofluoresceinografia por:
Cicatriz fibrótica em angiofluoresceína → Hiperfluorescência por impregnação (staining) nas fases tardias.
Diferente do extravasamento (leakage) em lesões ativas, o tecido cicatricial retém o contraste por afinidade tecidual, resultando em hiperfluorescência tardia sem aumento da área borrada.
A angiofluoresceinografia é um exame fundamental para o estudo da dinâmica vascular retiniana. O contraste (fluoresceína sódica) circula pelos vasos e, em condições normais, não atravessa as junções apertadas do endotélio vascular retiniano nem do epitélio pigmentado da retina (barreiras hemato-retinianas). Em patologias como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), podem surgir membranas neovasculares. Quando estas membranas se tornam fibróticas e cicatrizam, perdem a capacidade de exsudação ativa, mas o tecido fibroso resultante possui uma afinidade física pela fluoresceína. Assim, nas fases tardias do exame (após 5-10 minutos), enquanto o contraste é lavado da circulação retiniana, ele permanece 'preso' na cicatriz, gerando a imagem característica de impregnação.
A impregnação ocorre quando o contraste fluoresceína se liga a estruturas sólidas ou tecidos fibróticos (como cicatrizes disciformes ou esclera exposta). Diferente do extravasamento, a intensidade da fluorescência aumenta nas fases tardias, mas as bordas da lesão permanecem nítidas e a área não se expande, refletindo a retenção do corante pelo tecido e não sua saída para espaços fluidos.
Membranas ativas apresentam 'leakage' (extravasamento), onde a hiperfluorescência aumenta em tamanho e intensidade, tornando as bordas borradas devido ao acúmulo de fluido no espaço sub-retiniano. Membranas cicatrizadas apresentam 'staining' (impregnação), onde há brilho tardio sem aumento da área da lesão ou borramento das bordas.
A interpretação correta permite ao oftalmologista distinguir entre uma doença em atividade (que requer tratamento com anti-VEGF ou laser) e uma sequela cicatricial estável. A hiperfluorescência por impregnação em uma membrana totalmente cicatrizada indica que não há necessidade de intervenção aguda para controle de exsudação.
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