CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Paciente, após realização de angiofluoresceinografia, retorna com queixa de pele amarelada e urina de cor castanho-amarelada, bem mais escura que o normal. Provavelmente trata-se de:
Fluoresceína → Pele e urina amareladas (efeito fisiológico transitório esperado).
A fluoresceína sódica é um corante que circula sistemicamente; a coloração amarelada da pele e urina decorre de sua excreção normal, sem toxicidade orgânica.
A angiofluoresceinografia é um exame essencial na propedêutica de doenças retinianas, como a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). O uso da fluoresceína sódica permite a visualização detalhada da integridade da barreira hematorretiniana e a detecção de áreas de isquemia ou neovascularização. É fundamental que o médico e a equipe de enfermagem realizem o aconselhamento pré-exame, explicando os efeitos cromáticos na pele e urina para evitar ansiedade desnecessária do paciente. O reconhecimento de que tais alterações são benignas e transitórias diferencia o profissional experiente, evitando condutas diagnósticas errôneas para insuficiência hepática ou renal.
A fluoresceína sódica é um corante altamente fluorescente injetado na veia para mapear a circulação da retina. Devido ao seu baixo peso molecular, ela se espalha rapidamente pelos tecidos corporais, conferindo uma tonalidade amarelada à pele e às mucosas por algumas horas. Além disso, a principal via de eliminação é renal, o que torna a urina castanho-amarelada ou 'fluorescente' por até 24 a 36 horas após o procedimento. Esses são efeitos fisiológicos esperados e não representam lesão a órgãos.
Embora a mudança de cor seja inofensiva, o exame pode causar reações adversas reais. As mais comuns são náuseas e vômitos (em cerca de 5-10% dos pacientes). Reações alérgicas como urticária são menos frequentes, e o choque anafilático é extremamente raro (1 em 200.000). Diferente dos contrastes iodados usados na radiologia, a fluoresceína não é tipicamente nefrotóxica, mas deve ser usada com cautela em pacientes com insuficiência renal grave devido à excreção prolongada.
O paciente deve ser tranquilizado de que a coloração amarelada desaparecerá espontaneamente em um dia. Recomenda-se aumentar a ingestão hídrica para acelerar a eliminação do corante pelos rins. Além disso, como as pupilas geralmente são dilatadas para o exame, o paciente deve ser orientado a não dirigir e a usar óculos escuros para evitar o desconforto com a luz (fotofobia) até que o efeito do colírio passe.
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