Angioedema e Reações Adversas aos iECA

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, analfabeto, com 45 anos de idade, ajudante de pedreiro, que mora no alojamento da obra, é hipertenso e chega à Unidade de Saúde da Família (USF) com uma receita para retirar seus medicamentos no momento em que a USF estava encerrando o expediente do dia. O técnico da farmácia lê rapidamente a receita: Losartana, 2 caixas. Com pressa, o técnico entrega ao paciente 2 caixas de medicamentos anti-hipertensivos, sem notar que a segunda caixa é de outro medicamento para a hipertensão. Passados 8 dias, o paciente retorna à Unidade com tosse seca e alteração de paladar, mas não consegue ser atendido. Após 15 dias, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de angioedema e choque anafilático, sendo transferido para hospital, onde fica internado por 7 dias em Centro de Tratamento Intensivo. A partir da análise da situação hipotética acima descrita, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O quadro clínico de entrada na UPA é específico de intoxicação por biguanidas.
  2. B) O quadro de angiodema e choque anafilático se deve à intoxicação por contato com alérgenos no ambiente de trabalho.
  3. C) O quadro clínico de entrada na UPA é característico de reação adversa a antagonistas do receptor da angiotensina II.
  4. D) O quadro clínico de entrada na UPA é característico de reação adversa a inibidores da enzima de conversão da angiotensina.

Pérola Clínica

Tosse seca + Angioedema = Acúmulo de bradicinina por iECA (ex: Captopril, Enalapril).

Resumo-Chave

O angioedema por iECA é uma emergência médica mediada pela bradicinina, ocorrendo independentemente de mecanismos alérgicos clássicos (IgE).

Contexto Educacional

O caso clínico ilustra um erro de dispensação onde o paciente recebeu um iECA em vez de (ou além da) Losartana. A tríade de tosse seca, alteração de paladar (disgeusia) e angioedema tardio é patognomônica da reação adversa aos inibidores da enzima conversora de angiotensina. O angioedema pode ocorrer logo após a primeira dose ou após meses de uso contínuo. A fisiopatologia central é a inibição da degradação da bradicinina, um potente vasodilatador que aumenta a permeabilidade vascular. A conduta imediata é a interrupção da droga e a substituição por um BRA, se necessário.

Perguntas Frequentes

Por que os iECA causam tosse seca?

A enzima conversora de angiotensina (ECA) também é responsável pela degradação da bradicinina e da substância P nos pulmões. Ao inibir essa enzima, ocorre acúmulo dessas substâncias, que irritam as terminações nervosas brônquicas, resultando em tosse seca em até 20% dos pacientes.

Qual a gravidade do angioedema por iECA?

O angioedema por iECA pode ser fatal se envolver as vias aéreas superiores (língua, glote e laringe). Diferente da anafilaxia comum, ele não costuma responder bem a epinefrina ou anti-histamínicos, pois é mediado por bradicinina, exigindo suporte ventilatório e suspensão definitiva da droga.

Qual a diferença entre iECA e BRA quanto aos efeitos colaterais?

Os Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA), como a Losartana, não interferem na degradação da bradicinina. Por isso, raramente causam tosse seca ou angioedema, sendo a alternativa preferencial para pacientes que não toleram os iECA.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo