UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente feminina, de 52 anos, procurou atendimento na UBS por apresentar um grande edema na face, pouco doloroso, com início súbito e espontâneo há 2 dias. Negou prurido, dispneia, calafrios ou febre. Por hipertensão e hipercolesterolemia, vinha fazendo uso de hidroclorotiazida (25 mg/dia), captopril (50 mg/dia), sinvastatina (40 mg/dia) e AAS (100 mg/dia). O tratamento com loratadina não garantiu a melhora da paciente. Ao exame, havia um edema difuso, de grande magnitude e assimétrico na hemiface esquerda e lábio superior, com mínimo eritema e calor, sem adenomegalias. A pele estava íntegra, sem bolhas, úlceras ou secreção. Assinale a assertiva correta sobre o caso.
Angioedema sem urticária + uso de IECA → suspeitar de angioedema mediado por bradicinina.
A ausência de prurido e urticária, juntamente com a falta de resposta a anti-histamínicos como a loratadina, são características do angioedema mediado por bradicinina. O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, é uma causa comum desse tipo de angioedema.
O angioedema é uma condição caracterizada por edema súbito e transitório de tecidos subcutâneos ou submucosos. É crucial diferenciar o angioedema mediado por histamina (associado a urticária e prurido, responsivo a anti-histamínicos) do angioedema mediado por bradicinina, que não apresenta essas características e não responde a terapias convencionais para alergia. A prevalência do angioedema induzido por IECA é de aproximadamente 0,1% a 0,7% dos usuários, mas pode ser fatal se houver comprometimento das vias aéreas. A fisiopatologia do angioedema por IECA envolve o acúmulo de bradicinina, um potente vasodilatador e promotor de extravasamento vascular, devido à inibição da enzima conversora de angiotensina, que também degrada a bradicinina. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso de IECA e na ausência de urticária. É importante suspeitar em pacientes com edema de face, lábios, língua ou orofaringe sem causa aparente ou sem resposta a anti-histamínicos. O tratamento primário consiste na suspensão imediata do IECA. Em casos de comprometimento grave das vias aéreas, pode ser necessária intubação. Terapias específicas para angioedema mediado por bradicinina incluem o icatibanto (antagonista do receptor B2 da bradicinina) ou concentrado de inibidor de C1 esterase, embora nem sempre disponíveis. O prognóstico é bom com a suspensão do medicamento, mas a recorrência é possível se o IECA não for descontinuado.
O angioedema mediado por bradicinina tipicamente não apresenta prurido ou urticária, é menos responsivo a anti-histamínicos e corticoides, e pode ser assimétrico.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, são a causa farmacológica mais comum, devido ao acúmulo de bradicinina.
A conduta inicial inclui a suspensão imediata do IECA e monitoramento das vias aéreas. Em casos graves, podem ser necessários inibidores da C1 esterase ou icatibanto.
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