Angioedema Hereditário: Fisiopatologia e Bradicinina

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

O Angioedema Hereditário (AEH) é uma doença transmitida por herança autossômica em que são frequentes episódios de edema que podem acometer diversos órgãos, principalmente pelo acúmulo do peptídeo vasoativo bradicinina. Aponte a afirmativa que NÃO corresponde a uma possível causa desse acúmulo de bradicinina:

Alternativas

  1. A) Deficiência quantitativa do inibidor de C1 esterase.
  2. B) Utilização de inibidores de ECA.
  3. C) Ganho de função de FFXII (Fator Hageman).
  4. D) Deficiência de calicreína plasmática.

Pérola Clínica

AEH = acúmulo bradicinina. Deficiência calicreína plasmática ↓ bradicinina, NÃO ↑.

Resumo-Chave

O angioedema, especialmente o hereditário e o induzido por IECA, é mediado pelo acúmulo de bradicinina. A deficiência de C1-inibidor, ganho de função do Fator XII e uso de IECA levam a esse acúmulo. A calicreína é essencial para a produção de bradicinina, então sua deficiência resultaria em níveis reduzidos, não elevados.

Contexto Educacional

O Angioedema Hereditário (AEH) é uma condição genética rara, autossômica dominante, caracterizada por episódios recorrentes de edema em várias partes do corpo, como pele, trato gastrointestinal e vias aéreas. A compreensão da sua fisiopatologia é crucial, pois envolve principalmente o acúmulo do peptídeo vasoativo bradicinina, devido a um desequilíbrio no sistema calicreína-cinina. A maioria dos casos de AEH (Tipo I e II) está associada à deficiência quantitativa ou funcional do inibidor de C1 esterase (C1-INH), que normalmente regula a ativação do complemento e do sistema calicreína-cinina. Outras formas de angioedema mediado por bradicinina incluem o angioedema induzido por inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e o AEH com C1-INH normal, frequentemente associado a mutações no Fator XII (Fator Hageman) que levam a um ganho de função. O diagnóstico diferencial e o tratamento do angioedema exigem um conhecimento aprofundado desses mecanismos. A deficiência de calicreína plasmática, ao contrário das outras condições, resultaria em uma redução na produção de bradicinina, e não em seu acúmulo, sendo, portanto, uma alternativa incorreta como causa de angioedema mediado por bradicinina. Residentes devem estar atentos a essas nuances fisiopatológicas para um manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de acúmulo de bradicinina no angioedema?

As principais causas incluem a deficiência quantitativa ou funcional do inibidor de C1 esterase, o uso de inibidores da ECA e o ganho de função do Fator XII (Fator Hageman).

Como a deficiência de C1 esterase inibidor causa angioedema?

A deficiência do C1-inibidor leva à ativação descontrolada do sistema calicreína-cinina, resultando na produção excessiva de bradicinina, um potente vasodilatador que aumenta a permeabilidade vascular e causa edema.

Qual o papel da calicreína plasmática na formação de bradicinina?

A calicreína plasmática é uma enzima crucial que cliva o cininogênio de alto peso molecular para liberar bradicinina. Portanto, uma deficiência de calicreína resultaria em menor produção de bradicinina.

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