HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Mulher, 80 anos, consulta em uma unidade de emergência com história de enterorragia profusa, associada à tontura e a palpitações. Exame físico na admissão: PA 90/60 mmHg, FC 120 bpm. Ausculta respiratória sem alterações; ausculta cardíaca com sopro sistólico em área aórtica 2++/4; abdômen flácido, indolor à palpação, sem massas palpáveis; toque retal com sangue e coágulos na luz intestinal, sem lesões palpáveis. Com base na história clínica, a principal hipótese diagnóstica para a causa desse sangramento é
Idoso com enterorragia profusa e sopro aórtico → suspeitar de angiodisplasia (Síndrome de Heyde).
A angiodisplasia é uma causa comum de sangramento gastrointestinal baixo em idosos, frequentemente indolor e profuso. A associação com estenose aórtica (Síndrome de Heyde) é um ponto clínico importante, onde a disfunção de fator de von Willebrand contribui para a hemorragia.
A enterorragia profusa em pacientes idosos é uma emergência comum que exige rápida investigação e manejo. A angiodisplasia, uma malformação vascular adquirida, é uma das causas mais frequentes de hemorragia digestiva baixa nessa faixa etária, superando diverticulose em alguns estudos. Caracteriza-se por sangramento indolor, que pode variar de crônico e intermitente a agudo e maciço, levando a instabilidade hemodinâmica. A fisiopatologia da angiodisplasia envolve a degeneração de vasos submucosos, resultando em ectasias vasculares que se rompem facilmente. A associação com estenose aórtica, conhecida como Síndrome de Heyde, é um ponto crucial: a estenose aórtica grave pode levar à fragmentação de multímeros de alto peso molecular do fator de von Willebrand, prejudicando a hemostasia e exacerbando o sangramento das angiodisplasias. O diagnóstico é primariamente endoscópico, via colonoscopia, que permite a visualização direta das lesões avermelhadas e planas. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica com fluidos e transfusão, se necessário. O tratamento definitivo da angiodisplasia é geralmente endoscópico, com métodos como eletrocauterização, coagulação com plasma de argônio ou clipagem. Em casos refratários ou de sangramento maciço, a angiografia com embolização ou, em último caso, a ressecção cirúrgica do segmento intestinal afetado podem ser consideradas. O manejo da estenose aórtica subjacente também pode reduzir a recorrência do sangramento.
A angiodisplasia geralmente causa sangramento indolor, que pode ser crônico e oculto (levando à anemia ferropriva) ou agudo e profuso (enterorragia). É mais comum no cólon direito e em pacientes idosos.
A Síndrome de Heyde é a associação de estenose aórtica e sangramento gastrointestinal por angiodisplasia. A estenose aórtica grave pode causar uma deficiência adquirida do fator de von Willebrand, predispondo ao sangramento de lesões vasculares preexistentes como as angiodisplasias.
O diagnóstico é feito por colonoscopia, que permite visualizar e, em muitos casos, tratar as lesões por cauterização. Em casos de sangramento refratário ou lesões não acessíveis, pode-se considerar angiografia com embolização ou cirurgia.
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