Angina Mesentérica: Diagnóstico em Idosos com Dor Pós-Prandial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Homem de 72 anos se queixa de dor epigástrica intensa cerca de 40 minutos após as refeições, com uma hora de duração, há cerca de 2 meses. Nega alteração do hábito intestinal, distensão abdominal, náuseas, vômitos, pirose ou regurgitação. A dor nunca ocorre durante a noite ou o desperta do sono. Perdeu 7kg nesse período e tem evitado se alimentar. É tabagista desde os 20 anos e fuma um maço de cigarros ao dia. É etilista, ingerindo duas latas de cerveja ao dia, há sete anos. É portador de hipertensão arterial sistêmica e faz uso de losartana há 5 anos. O exame físico não apresenta anormalidades. A endoscopia digestiva alta e a tomografia computadorizada do abdome não revelaram anormalidades. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Angina mesentérica
  2. B) Dispepsia funcional
  3. C) Pancreatite crônica 
  4. D) Síndrome de super-crescimento bacteriano

Pérola Clínica

Dor abdominal pós-prandial + perda de peso em idoso com fatores de risco vascular → suspeitar de angina mesentérica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal intensa e recorrente após as refeições (angina abdominal), associada à perda de peso e "medo de comer" (sitiofobia) em um paciente idoso com múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, etilismo, HAS), mesmo com exames endoscópicos e tomográficos normais para outras causas, é altamente sugestivo de angina mesentérica (isquemia mesentérica crônica).

Contexto Educacional

A angina mesentérica, ou isquemia mesentérica crônica, é uma condição causada pela aterosclerose das artérias mesentéricas, resultando em fluxo sanguíneo inadequado para o intestino, especialmente após as refeições, quando a demanda metabólica aumenta. É mais comum em idosos com fatores de risco cardiovascular e é uma causa importante de dor abdominal crônica e perda de peso. A fisiopatologia envolve a estenose de pelo menos duas das três principais artérias mesentéricas (tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artéria mesentérica inferior). Os sintomas típicos são a dor abdominal pós-prandial ("angina abdominal"), que leva à sitiofobia (medo de comer) e consequente perda de peso. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos e exames como endoscopia e TC abdominal podem ser normais. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com fatores de risco para aterosclerose. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem vasculares, como angiotomografia ou angioressonância, que demonstram as estenoses arteriais. O tratamento visa restaurar o fluxo sanguíneo, seja por revascularização endovascular (angioplastia com stent) ou cirúrgica (bypass), além do controle dos fatores de risco cardiovasculares.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da angina mesentérica?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa e recorrente que se inicia cerca de 30-60 minutos após as refeições, durando 1-3 horas, associada a perda de peso e "medo de comer" (sitiofobia).

Quais fatores de risco estão associados à angina mesentérica?

Os principais fatores de risco são os mesmos da aterosclerose sistêmica, como idade avançada, tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus.

Como é feito o diagnóstico de angina mesentérica?

O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem que demonstrem estenose significativa de pelo menos duas das três artérias mesentéricas principais (tronco celíaco, mesentérica superior, mesentérica inferior), como angiotomografia ou angioressonância.

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