Angina Instável de Alto Risco: Diagnóstico e Conduta

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 53 anos, tabagista há 32 anos, apresenta dor precordial intensa irradiada para o braço esquerdo com duração de 25 minutos, acompanhada de falta de ar, sem queixas prévias. Exame físico: PA = 140x90 mmHg, FC = 100 bpm e crepitações pulmonares bilaterais em bases e terços médios. ECG: inversão de onda T nas derivações precordiais. Troponinas normais. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) Infarto sem supradesnivelamento do segmento ST; angiografia em até 72 horas.
  2. B) Angina instável de alto risco; angiografia em até 2 horas.
  3. C) Angina instável de risco intermediário; angiografia em até 24 horas.
  4. D) Angina instável de baixo risco; tratamento clínico não invasivo.

Pérola Clínica

Dor precordial + inversão de onda T + troponinas normais + fatores de risco → Angina Instável de Alto Risco = Angiografia precoce (<2h).

Resumo-Chave

O paciente apresenta dor precordial isquêmica típica, alterações de ECG (inversão de onda T) e fatores de risco (tabagismo), mas com troponinas normais, caracterizando angina instável. A presença de crepitações pulmonares (sugestivo de congestão) e a intensidade da dor indicam alto risco, justificando angiografia precoce.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) abrange um espectro de condições, desde a angina instável até o infarto agudo do miocárdio com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. A angina instável é caracterizada por isquemia miocárdica sem necrose celular suficiente para elevar os biomarcadores cardíacos (troponinas). No entanto, a presença de dor precordial intensa e prolongada, irradiada, acompanhada de dispneia, em um paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo crônico) e alterações isquêmicas no ECG (inversão de onda T), indica um quadro de alto risco. As crepitações pulmonares bilaterais sugerem congestão pulmonar, que pode ser uma manifestação de disfunção ventricular esquerda secundária à isquemia, elevando ainda mais o risco cardiovascular do paciente. A estratificação de risco é crucial para determinar a conduta. Escores como TIMI ou GRACE ajudam a quantificar o risco de eventos adversos. Neste cenário de angina instável de alto risco, a conduta recomendada é a realização de angiografia coronariana precoce, idealmente dentro de 2 horas para pacientes instáveis ou com características de muito alto risco, ou até 24 horas para alto risco. O objetivo é identificar a lesão culpada e proceder à revascularização (angioplastia com stent) para restaurar o fluxo sanguíneo e prevenir a progressão para infarto ou morte.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para angina instável de alto risco?

Critérios incluem dor isquêmica recorrente ou prolongada (>20 min), alterações dinâmicas de ST-T no ECG, elevação transitória de troponinas, instabilidade hemodinâmica, arritmias ventriculares ou insuficiência cardíaca.

Por que a angiografia precoce é indicada na angina instável de alto risco?

A angiografia precoce (geralmente dentro de 2 a 24 horas, ou <2h em casos de instabilidade) permite identificar a lesão coronariana culpada e realizar revascularização (angioplastia com stent) para prevenir infarto e melhorar o prognóstico.

Qual o significado da inversão de onda T no contexto de dor precordial?

A inversão de onda T, especialmente em derivações precordiais, é um sinal de isquemia miocárdica subendocárdica. Embora não seja tão específica quanto o supradesnivelamento de ST, indica um evento coronariano agudo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo