Angina Instável: Diagnóstico e Estratificação de Risco

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente masculino, 53 anos, hipertenso e tabagista, há 1 ano iniciou com episódios de dor retroesternal em aperto e sem irradiação, com duração de aproximadamente 5 minutos. A dor era desencadeada pelos moderados a grandes esforços e aliviada pelo repouso. O eletrocardiograma e o ecocardiograma de repouso não mostraram anormalidades. Há cerca de 9 meses o paciente realizou teste ergométrico em que não apresentou dor torácica, porém teve critério eletrocardiográfico para isquemia/lesão miocárdica. Após retornar ao ambulatório com o resultado do teste ergométrico, foram iniciados atorvastatina, atenolol, ácido acetilsalicílico, ajustado o tratamento da hipertensão e desde então ele não apresentou mais episódios de dor torácica. O paciente persiste tabagista ativo. Há cerca de 2 horas o paciente apresentou um episódio de dor retroesternal sem irradiação, em aperto, de moderada intensidade, associada a palidez e sudorese, que se mantém até o momento da avaliação médica. O eletrocardiograma realizado na admissão mostrou infradesnivelamento do segmento ST com amplitude de 3 mm nas derivações V1, V2, V3 e V4. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a caracterização da dor torácica, a probabilidade de a dor ser causada por aterosclerose coronariana e o risco de eventos adversos durante a internação.

Alternativas

  1. A) Dor tipo A / baixa probabilidade / alto risco
  2. B) Dor tipo A / alta probabilidade / alto risco
  3. C) Dor tipo B / média probabilidade / risco intermediário
  4. D) Dor tipo B / alta probabilidade / baixo risco
  5. E) Dor tipo C / alta probabilidade / alto risco

Pérola Clínica

Dor torácica em repouso + infradesnivelamento ST novo/piorado em paciente com DAC prévia = Angina Instável de alto risco.

Resumo-Chave

A dor retroesternal em repouso, associada a palidez e sudorese, e o infradesnivelamento do segmento ST em V1-V4 em um paciente com histórico de doença arterial coronariana (teste ergométrico positivo) e fatores de risco, caracteriza uma angina instável (dor tipo A) de alta probabilidade e alto risco de eventos adversos.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular, sendo fundamental para o residente a capacidade de diagnosticar e estratificar o risco. A angina instável, uma forma de SCA sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASSST), é caracterizada por dor torácica isquêmica em repouso, de início recente ou com piora progressiva, sem elevação de biomarcadores cardíacos no início. A caracterização da dor torácica é o primeiro passo. Uma dor em aperto, retroesternal, associada a sintomas autonômicos como palidez e sudorese, em um paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, tabagismo) e histórico de doença arterial coronariana (teste ergométrico positivo), tem alta probabilidade de ser de origem isquêmica. O eletrocardiograma é crucial, e o infradesnivelamento do segmento ST em múltiplas derivações, como V1-V4, indica isquemia miocárdica significativa e um cenário de alto risco. A estratificação de risco é essencial para guiar a conduta. Pacientes com angina instável e alterações isquêmicas no ECG, especialmente em repouso, são considerados de alto risco para eventos adversos maiores (infarto, morte) e geralmente requerem uma abordagem invasiva precoce. O tratamento inclui antiagregantes plaquetários, anticoagulantes, betabloqueadores, estatinas e, frequentemente, cineangiocoronariografia. A persistência do tabagismo, como no caso, agrava ainda mais o prognóstico e reforça a necessidade de intervenção intensiva nos fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Como classificar a dor torácica isquêmica em um paciente com histórico de DAC?

A dor torácica em repouso, de início recente ou com piora progressiva em intensidade/frequência, em um paciente com DAC prévia, é classificada como angina instável (tipo A ou B dependendo da presença de fatores precipitantes).

Quais achados no ECG indicam alto risco em uma Síndrome Coronariana Aguda sem SST?

Alterações dinâmicas do segmento ST (infradesnivelamento > 0,5 mm ou supradesnivelamento transitório) ou inversão de onda T profunda, especialmente em múltiplas derivações, indicam alto risco em SCASSST.

Quais são os principais fatores que aumentam a probabilidade de uma dor torácica ser de origem coronariana?

Fatores como idade avançada, sexo masculino, tabagismo, hipertensão, diabetes, dislipidemia, histórico familiar de DAC e características típicas da dor (opressiva, irradiada, relacionada ao esforço) aumentam a probabilidade.

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