Angina Instável: Diagnóstico e Manejo na Síndrome Coronariana Aguda

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 77 anos de idade, diabético tipo 2, coronariopata, com revascularização miocárdica há 8 anos, chegou ao pronto-socorro com quadro de dor precordial com as mesmas características do infarto agudo do miocárdio, ocorrido há 9 anos, acompanhado de palidez e sudorese. O exame físico revelou pressão arterial de 140 x 90mmHg em membros superiores, frequência cardíaca de 80bpm e peso de 80kg. O paciente apresentava-se com bom estado geral, ansioso, pálido, hidratado e afebril. Estava em uso de 100mg/dia de AAS, 850mg de metformina 3x/dia, 50mg de captopril 3x/dia, 25mg/dia de atenolol e 20mg/dia de sinvastatina. Realizou ECG que não evidenciou alterações no segmento ST. Foram realizadas três dosagens negativas de troponinas. Nesse caso, é CORRETO afirmar que a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Síndrome coronariana aguda com angina instável.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST.
  3. C) Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST.
  4. D) Angina estável.

Pérola Clínica

Dor precordial + ECG sem ST↑ + Troponinas negativas = Angina Instável (SCA sem ST↑).

Resumo-Chave

A angina instável é uma forma de síndrome coronariana aguda (SCA) caracterizada por dor torácica isquêmica em repouso, de início recente ou em padrão crescente, sem elevação de biomarcadores cardíacos (troponinas) e sem supradesnivelamento do segmento ST no ECG. O paciente apresenta fatores de risco e histórico de coronariopatia, o que reforça a hipótese de SCA.

Contexto Educacional

A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) abrange um espectro de condições que resultam da isquemia miocárdica aguda, geralmente causada pela ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo. É uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular global. A angina instável representa uma forma de SCA sem elevação persistente do segmento ST no eletrocardiograma e sem elevação significativa dos biomarcadores de necrose miocárdica (troponinas). A fisiopatologia da angina instável envolve a redução crítica do fluxo sanguíneo coronariano devido a um trombo não oclusivo, espasmo coronariano ou aumento da demanda de oxigênio miocárdico em um contexto de doença aterosclerótica. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dor torácica isquêmica, e complementado por ECG (que pode ser normal ou apresentar alterações inespecíficas como infradesnivelamento do ST ou inversão de onda T) e dosagens seriadas de troponinas, que devem permanecer negativas para confirmar a angina instável. O manejo inicial da angina instável visa aliviar a isquemia, prevenir a progressão para infarto e estabilizar o paciente. Inclui terapia antiplaquetária (AAS e um inibidor P2Y12), anticoagulação (heparina), nitratos para alívio da dor, betabloqueadores e estatinas. A estratificação de risco é fundamental para decidir sobre a necessidade de uma estratégia invasiva precoce (cateterismo cardíaco).

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor torácica na angina instável?

A dor na angina instável pode ser de início recente (menos de 2 meses), mais intensa ou prolongada que a angina prévia, ou ocorrer em repouso. Geralmente é retroesternal, opressiva, podendo irradiar para membros superiores, pescoço ou mandíbula.

Qual a diferença entre angina instável e infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST)?

Ambas são formas de Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do ST no ECG. A principal diferença é a elevação dos biomarcadores cardíacos: na angina instável, as troponinas são negativas, enquanto no IAMSSST, há elevação.

Quais fatores de risco aumentam a probabilidade de angina instável?

Fatores de risco incluem idade avançada, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, histórico familiar de doença coronariana e doença coronariana prévia (como revascularização miocárdica).

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