Angina Instável: Indicação de Cateterismo Cardíaco Urgente

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 67 anos, hipertenso, diabético tipo 2, dislipidêmico, obeso e tabagista ativo. Previamente assintomático, procura atendimento médico devido a quadro de dor torácica, em queimação, de intensidade 5/10, sem irradiação ou outros sintomas associados e que se inicia após realização de moderados esforços. Refere início da dor há 2 semanas, sendo que há 1 semana tem sido mais frequente e de maior intensidade. Exame físico: sem alterações significativas. Eletrocardiograma abaixo.Qual é o método de avaliação mais indicado para investigação do quadro clínico?

Alternativas

  1. A) Angiotomografia de coronária.
  2. B) Cintilografia miocárdica com dipiridamol.
  3. C) Cateterismo cardíaco.
  4. D) Teste ergométrico.

Pérola Clínica

Dor torácica anginosa progressiva em paciente de alto risco cardiovascular, mesmo com ECG normal, indica angina instável → Cateterismo cardíaco.

Resumo-Chave

Paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular e dor torácica sugestiva de angina, que se tornou mais frequente e intensa (angina instável), requer investigação invasiva imediata, como o cateterismo cardíaco, para avaliar a extensão da doença coronariana e planejar a revascularização.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um perfil de alto risco cardiovascular (idade avançada, hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia, obesidade, tabagismo) e um quadro de dor torácica sugestiva de angina que se tornou progressiva em frequência e intensidade nas últimas semanas. Essa apresentação clínica é altamente indicativa de angina instável, uma forma de Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASSST). A angina instável é uma condição grave que exige avaliação e manejo rápidos devido ao risco elevado de infarto agudo do miocárdio e morte. Em pacientes com alto risco cardiovascular e angina instável, a estratificação de risco indica uma abordagem invasiva precoce. O cateterismo cardíaco (angiografia coronariana) é o método diagnóstico e terapêutico mais indicado neste cenário. Ele permite a visualização direta das artérias coronárias, a identificação de estenoses significativas e a realização de intervenção coronariana percutânea (angioplastia com stent) no mesmo procedimento, se indicado. Exames não invasivos como angiotomografia, cintilografia ou teste ergométrico seriam inadequados para a urgência e o alto risco deste paciente, pois poderiam atrasar a intervenção definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar angina instável?

Angina instável é caracterizada por angina de início recente (nas últimas 2 semanas), angina progressiva (aumento da frequência, intensidade ou duração), ou angina em repouso. É uma forma de síndrome coronariana aguda sem elevação do segmento ST.

Por que o cateterismo cardíaco é o método mais indicado neste caso?

O paciente apresenta múltiplos fatores de risco e um quadro de angina instável (dor progressiva), que o classifica como de alto risco para eventos cardíacos. O cateterismo cardíaco permite visualizar diretamente as artérias coronárias, identificar estenoses significativas e realizar intervenção percutânea se necessário, sendo o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento definitivo.

Quando a angiotomografia ou cintilografia seriam mais apropriadas?

A angiotomografia de coronárias é útil para excluir DAC em pacientes de risco intermediário com dor torácica atípica ou para avaliar anatomia coronariana. A cintilografia miocárdica é um teste funcional para avaliar isquemia em pacientes com risco intermediário ou alto, mas sem instabilidade clínica, ou para avaliar a viabilidade miocárdica. Em angina instável de alto risco, a abordagem invasiva é preferível.

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