HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Mulher, 58 anos de idade, está em investigação ambulatorial de dor torácica de padrão anginoso. No momento, apresenta dor precordial em aperto leve apenas aos esforços maiores, como subir vários lances de escadas ou uma ladeira ingreme, que cede rapidamente com o repouso. Adicionalmente, tem história de hipertensão arterial e dislipidemia, estando em uso de enalapril 40 mg/dia, atenolol 50 mg/dia e sinvastatina 20 mg/dia. Nunca fumou. Ao exame, apresenta FC: 72 bpm, PA: 128 X 80 mmHg e IMC: 28,2kg/m². O eletrocardiograma transtorácico em repouso não apresentaram alterações. A cintilografia de perfusão miocárdica apresentou hipoperfusão na porção apical do septo interventricular durante o estresse que reverteu com repouso, sem disfunção ventricular (FEVE: 58%). Os exames laboratoriais estão mostrados abaixo. As mudanças que devem ser feitas na prescrição do paciente neste momento são:
A paciente apresenta um quadro de angina estável, caracterizado por dor torácica de padrão anginoso desencadeada por esforços e aliviada pelo repouso, com evidência de isquemia miocárdica reversível na cintilografia. Ela possui fatores de risco como hipertensão e dislipidemia, e já está em uso de betabloqueador e estatina. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e, crucialmente, prevenir eventos cardiovasculares futuros. O manejo da angina estável envolve a otimização da terapia anti-isquêmica e a prevenção secundária. A otimização do betabloqueador (atenolol) é apropriada, pois a FC de 72 bpm ainda permite um ajuste para reduzir a demanda miocárdica de oxigênio. Para a prevenção secundária, é imperativo iniciar AAS, um antiagregante plaquetário. Além disso, a terapia hipolipemiante deve ser intensificada: a sinvastatina 20 mg/dia é uma estatina de intensidade moderada, e pacientes com doença arterial coronariana estabelecida requerem uma estatina de alta intensidade, como atorvastatina 40-80 mg/dia ou rosuvastatina 20-40 mg/dia, para atingir metas de LDL-C mais rigorosas. A semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1, demonstrou benefícios cardiovasculares significativos em pacientes com doença aterosclerótica estabelecida, independentemente do status diabético, e também promove perda de peso. Sua inclusão na terapia é uma estratégia moderna e baseada em evidências para pacientes com DAC e sobrepeso/obesidade. Outras alternativas apresentadas na questão, como rivaroxabana em dose vascular, clopidogrel isolado ou dapagliflozina, teriam indicações mais específicas ou seriam menos prioritárias neste cenário inicial.
A paciente tem doença arterial coronariana (DAC) estabelecida, o que exige terapia com estatina de alta intensidade para reduzir o risco cardiovascular. A atorvastatina 40 mg/dia (ou rosuvastatina) é uma estatina de alta intensidade, enquanto a sinvastatina 20 mg/dia é de intensidade moderada.
O AAS (ácido acetilsalicílico) é um antiagregante plaquetário fundamental na prevenção secundária de eventos cardiovasculares em pacientes com DAC estabelecida, reduzindo o risco de infarto agudo do miocárdio e AVC isquêmico.
A semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1, demonstrou benefícios cardiovasculares em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, independentemente da presença de diabetes, especialmente em indivíduos com sobrepeso ou obesidade.
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