Anfotericina B: Manejo de Reações Infusionais e Segurança

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Desoxicolato de anfotericina B: é a droga de primeira escolha para o tratamento da coinfecção Leishmania-HIV na forma tegumentar das leishmanioses ou, como alternativa, na forma visceral, caso não haja disponibilidade imediata da formulação lipossomal da anfotericina B. Podemos indicar como correta a seguinte conduta:

Alternativas

  1. A) Em caso de eventos adversos durante a infusão do medicamento, interromper temporariamente a infusão, administrar antitérmicos e/ou meperidina e programar a infusão mais lentamente e antecedida pela administração de anti-histamínicos meia hora antes.
  2. B) Em situação de eventos adversos durante a infusão do medicamento, não interromper temporariamente a infusão, e sim administrar antitérmicos e/ou meperidina e programar a infusão mais rapidamente.
  3. C) Na presença de eventos adversos durante a infusão do medicamento, interromper definitivamente a infusão, e nunca administrar antitérmicos ou meperidina e programar a infusão alternativa.
  4. D) Ocorrendo eventos adversos durante a infusão do medicamento, nunca administrar antitérmicos e/ou meperidina ou programar a infusão mais lentamente e antecedida pela administração de anti-histamínicos meia hora antes.

Pérola Clínica

Reações infusão Anfotericina B → interromper, antitérmicos/meperidina, infundir + lentamente, pré-medicar anti-histamínicos.

Resumo-Chave

A anfotericina B desoxicolato é conhecida por eventos adversos relacionados à infusão, como febre, calafrios e tremores. O manejo envolve a interrupção temporária, uso de sintomáticos e ajuste da velocidade de infusão, além de pré-medicação para futuras doses.

Contexto Educacional

A anfotericina B desoxicolato é um antifúngico polieno de amplo espectro, fundamental no tratamento de infecções fúngicas sistêmicas graves e leishmanioses, especialmente em contextos de coinfecção Leishmania-HIV. Apesar de sua eficácia, é notória por seu perfil de toxicidade, particularmente as reações infusionais agudas e a nefrotoxicidade, que exigem manejo cuidadoso para garantir a adesão e segurança do tratamento. As reações infusionais, como febre, calafrios, tremores, náuseas e cefaleia, são comuns e ocorrem devido à liberação de citocinas inflamatórias. O manejo adequado envolve a interrupção temporária da infusão, administração de antitérmicos (paracetamol), anti-histamínicos (difenidramina) e, em casos de tremores intensos, meperidina. A infusão deve ser retomada mais lentamente e, para doses subsequentes, a pré-medicação é crucial. A nefrotoxicidade é outra preocupação significativa, manifestando-se como disfunção tubular e glomerular. A monitorização da função renal e dos eletrólitos (especialmente potássio e magnésio) é essencial. A hidratação venosa prévia à infusão pode ajudar a mitigar a toxicidade renal. Em casos de leishmaniose, a formulação lipossomal é preferível quando disponível, devido ao seu melhor perfil de segurança, mas a desoxicolato permanece uma alternativa vital.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais eventos adversos da anfotericina B desoxicolato?

Os principais eventos adversos incluem reações infusionais agudas (febre, calafrios, tremores, náuseas, vômitos) e toxicidade renal (nefrotoxicidade), além de distúrbios eletrolíticos.

Como se deve proceder em caso de reação infusional à anfotericina B?

Deve-se interromper temporariamente a infusão, administrar antitérmicos e/ou meperidina para controlar os sintomas, e reiniciar a infusão mais lentamente, considerando pré-medicação com anti-histamínicos e/ou corticoides para doses futuras.

Qual a diferença entre anfotericina B desoxicolato e lipossomal em relação aos eventos adversos?

A formulação lipossomal da anfotericina B possui um perfil de segurança superior, com menor incidência de nefrotoxicidade e reações infusionais, devido à sua encapsulação lipídica que reduz a exposição direta do fármaco aos tecidos.

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