INGOH - Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (GO) — Prova 2015
Homem de 75 anos, grande fumante desde a adolescência, sabidamente portador de hipertensão arterial sistêmica e hipercolesterolemia, tem inúmeras placas de aterosclerose na sua aorta abdominal. Nas últimas semanas, evoluiu com dor abdominal, febre de até 38,5°C e calafrios. Realizado TC de abdome que mostra aneurisma sacular na aorta, abaixo das renais. O ecocardiograma bidimensional transesofágico, a TC de tórax e a urinocultura falham em demonstrar o foco da infecção. A hipótese de aneurisma micótico primário da aorta seria muito provável, caso as hemoculturas mostrassem crescimento de:
Aneurisma micótico primário da aorta + hemocultura → Salmonella sp. (tropismo por aterosclerose).
Salmonella spp. tem um tropismo conhecido por vasos ateroscleróticos, sendo uma causa clássica de aneurismas micóticos primários, especialmente na aorta abdominal, manifestando-se com dor, febre e calafrios.
Aneurismas micóticos, também conhecidos como aneurismas infecciosos, são dilatações arteriais causadas pela destruição da parede vascular por microrganismos. Embora o termo 'micótico' sugira fungos, a maioria é de origem bacteriana. Eles são mais comuns em pacientes idosos com aterosclerose preexistente, que serve como um local de menor resistência para a colonização bacteriana. O caso clínico descreve um paciente com múltiplos fatores de risco para aterosclerose e um aneurisma sacular na aorta abdominal, que desenvolve um quadro infeccioso sistêmico (febre, calafrios) sem foco aparente. A hipótese de aneurisma micótico primário da aorta é forte. Dentre as opções de microrganismos, a Salmonella sp. é classicamente associada a aneurismas micóticos, especialmente em vasos ateroscleróticos, devido à sua capacidade de invadir e se replicar no endotélio vascular danificado. O diagnóstico é desafiador e requer alta suspeição clínica, exames de imagem (TC, RM) para identificar o aneurisma e hemoculturas para isolar o agente etiológico. O tratamento envolve antibioticoterapia prolongada e, frequentemente, intervenção cirúrgica para ressecção do segmento infectado e reconstrução vascular. A escolha do antibiótico deve ser guiada pela cultura e antibiograma, mas o conhecimento dos patógenos mais prováveis, como Salmonella em aneurismas micóticos, é crucial para o tratamento empírico inicial.
Os fatores de risco incluem aterosclerose preexistente, imunossupressão, diabetes mellitus, uso de drogas intravenosas, infecções sistêmicas (endocardite, sepse) e procedimentos invasivos. A presença de placas ateroscleróticas na aorta é um sítio comum para a colonização bacteriana.
Salmonella spp. possui um tropismo particular por tecidos danificados, como placas ateroscleróticas e aneurismas preexistentes. A bactéria pode se aderir e proliferar nesses locais, levando à formação de um aneurisma infeccioso ou à infecção de um aneurisma já existente.
As manifestações incluem dor abdominal ou lombar (dependendo da localização), febre, calafrios, perda de peso e leucocitose. A ruptura do aneurisma é uma complicação grave e pode levar a choque hipovolêmico. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem e hemoculturas.
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