HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Um paciente de 76 anos, sexo masculino, deu entrada na UTI com quadro de palidez cutânea intensa, agitação psicomotora, frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória de 26, pressão arterial sistólica de 45 mmHg, dor em região dorsal. Amonitorização cardíaca mostrava fibrilação atrial, oximetria de pulso com 78%. Não se palpavam pulsos femorais, pulsos carotídeos presentes, pulsos radiais muito finos. Exame laboratorial mostrava hemoglobina de 6,7 g/dl, pH igual a 7,15 e bicarbonato sérico igual a 15. Diagnóstico provável:
Dor dorsal súbita + hipotensão + pulsos femorais ausentes + choque → Dissecção Aórtica Aguda.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência médica grave, caracterizada por dor súbita e intensa (frequentemente dorsal ou torácica), hipotensão, sinais de choque e assimetria de pulsos ou déficits neurológicos. A palidez, taquicardia, hipotensão e acidose metabólica indicam choque, enquanto a ausência de pulsos femorais sugere comprometimento arterial distal, altamente compatível com dissecção aórtica.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência cardiovascular com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. Caracteriza-se pela separação das camadas da parede aórtica, criando um falso lúmen que pode se estender por toda a aorta e seus ramos, levando a isquemia de órgãos, ruptura e choque. A suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce. O paciente do enunciado apresenta um quadro dramático: palidez intensa, agitação psicomotora, taquicardia, hipotensão grave (45 mmHg sistólica), dor dorsal, e sinais de má perfusão periférica (pulsos radiais finos, ausência de pulsos femorais, oximetria de 78%). Os exames laboratoriais confirmam choque com acidose metabólica (pH 7,15, bicarbonato 15) e anemia (Hb 6,7 g/dl), que pode ser secundária a sangramento para o falso lúmen ou para cavidades. A fibrilação atrial pode ser uma arritmia secundária ao estresse hemodinâmico ou preexistente. A combinação de dor dorsal súbita e intensa, hipotensão, sinais de choque e, principalmente, a ausência de pulsos femorais (sugerindo comprometimento do fluxo para os membros inferiores) é altamente sugestiva de dissecção aórtica. Outras causas de choque, como infarto agudo do miocárdio ou pneumotórax hipertensivo, não explicariam a dor dorsal irradiada e a assimetria de pulsos de forma tão característica. O aneurisma de ventrículo esquerdo é uma complicação crônica de IAM e não se manifestaria com um quadro agudo de choque e dor dorsal súbita. O manejo inicial envolve estabilização hemodinâmica, controle da dor e da pressão arterial, e confirmação diagnóstica por imagem (angiotomografia) para planejamento da intervenção cirúrgica ou endovascular.
Os sinais clássicos incluem dor súbita e intensa, geralmente descrita como lancinante ou dilacerante, que pode ser torácica ou dorsal, além de hipotensão, sinais de choque, assimetria de pulsos, déficits neurológicos focais e sopros de insuficiência aórtica aguda.
A ausência ou assimetria de pulsos, como a não palpação de pulsos femorais, sugere que a dissecção se estendeu para as artérias ilíacas ou femorais, comprometendo o fluxo sanguíneo para os membros inferiores. É um sinal de má perfusão e alta suspeita de dissecção.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, controle da dor e da pressão arterial (com betabloqueadores e vasodilatadores, se necessário), e confirmação diagnóstica rápida com exames de imagem (angiotomografia ou ecocardiograma transesofágico), seguido de avaliação cirúrgica urgente.
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